EUA e ANP se unem em pressão sobre Israel por assentamentos

Nuha Musleh. Ramala, 10 mar (EFE).- O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o vice-presidente americano, Joe Biden, reforçaram hoje a condenação à decisão de Israel de construir mais em colônias na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, e destacaram que isso abala o processo de paz.

EFE |

Em entrevista coletiva ao lado do vice-presidente americano, Abbas disse que os projetos de Israel para Cisjordânia e Jerusalém abalam as negociações indiretas, que têm mediação dos Estados Unidos.

Após se reunir durante duas horas em Ramala com Biden, Abbas exigiu de Israel a suspensão dessas atividades nas colônias. "É a hora de fazer a paz baseada em uma solução de dois Estados", afirmou.

O presidente da ANP disse que Israel não pode "perder a oportunidade de fazer a paz" e que tem que dar "uma oportunidade aos esforços" de Obama e do enviado especial americano ao Oriente Médio, George Mitchell.

Na segunda-feira, o emissário de Obama anunciou o começo das chamadas "negociações de proximidade", apenas poucas horas após ser divulgado que o Ministério da Defesa de Israel tinha aprovado a construção de 112 moradias na colônia de Betar Ilit, no distrito de Belém (Cisjordânia).

Já ontem, quando Biden estava reunido com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o Comitê de Planejamento do Distrito de Jerusalém aprovou um novo projeto de 1.600 casas em Ramat Shelomo, bairro ultra-ortodoxo judeu construído sobre território ocupado em 1967.

A notícia chegou como um balde de água fria sobre Biden, que esteve a ponto de cancelar um jantar que tinha programado com Netanyahu. O vice americano chegou mais de uma hora atrasado em protesto, como noticia hoje o jornal "Yedioth Ahronoth".

Segundo a imprensa local, o primeiro-ministro israelense se desculpou insistentemente perante o convidado e assegurou que não sabia que a comissão municipal estudaria o caso. Netanyahu ordenou que o ministro do Interior, Eli Yishai, emita uma declaração pública com suas palavras.

"Peço desculpas pelo desassossego que este assunto provocou", declarou o ministro, pela manhã, a uma emissora de rádio, após apontar que ele também desconhecia a agenda do comitê.

Yishai assinalou que a aprovação das novas construções é um assunto "técnico e rotineiro" e explicou que os comitês aprovam planos semanais sem informá-lo pessoalmente.

De Ramala, Biden pediu a Israel que evite ações que possam inflamar os ânimos e, assegurando que não há alternativa, senão a solução de dois países, reiterou a Abbas a determinação dos EUA em estabelecer "um Estado palestino viável".

A crítica do vice de Obama não foi menos contundente que a condenação escrita que seu escritório tinha divulgado de madrugada após saber da aprovação do projeto israelense. Nela, pela primeira vez o Governo dos EUA fugiu das voltas que costuma dar sobre o assunto e criticou abertamente Israel.

Em vez de expressões como "pedimos esclarecimentos" ou "pedimos a reconsideração da decisão", Washington recorreu a uma palavra até agora quase impronunciável para o assunto: "condenação".

"Condeno a decisão do Governo de Israel de avançar no planejamento de novas unidades de habitação em Jerusalém Oriental", afirmou Biden no comunicado.

Já o primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad, disse em reunião esta manhã com Biden que a aprovação do projeto é um "grande desplante" aos esforços dos EUA.

O vice-presidente foi para Belém, a 25 quilômetros de Ramala, para visitar uma indústria palestina de mármores e jantar com líderes da sociedade civil na cidade, de maioria cristã.

Amanhã, no último dia da visita na região, fará um discurso na Universidade de Tel Aviv e, no início da tarde, voará para Amã, etapa final da viagem que realiza pelo Oriente Médio. EFE nm/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG