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EUA e A.Latina aspiram relação melhor após vitória de Obama

Celine Aemisegger. Washington, 20 dez (EFE).- As relações dos Estados Unidos com alguns países da América Latina chegaram ao fundo do poço em 2008 com a chamada crise dos embaixadores, embora todos esperem que com a troca de comando na Casa Branca se inicie uma etapa mais fluente e distendida.

EFE |

As expectativas dos países da região pela transferência de poder nos EUA são grandes, pois consideram que sob o mandato do novo presidente, Barack Obama, podem, em princípio, virar a página com facilidade e definir as bases para restaurar as complexas relações.

A marca para superar essa prova com sucesso não é alto demais caso se leve em conta a aversão mostrada por alguns países com a política latino-americana do atual presidente, George W. Bush, e o sentimento generalizado de que receberam pouca atenção dos EUA durante os últimos oito anos.

O ano começou relativamente tranqüilo comparado com o que viria a acontecer no segundo semestre, quando a retórica "antiimperialista" e as tensões com alguns países provocaram a "crise dos embaixadores".

Em setembro, os Governos de Bolívia e Venezuela declararam como "persona non grata" em seus respectivos territórios os embaixadores americanos Philip Goldberg e Patrick Duddy.

Washington respondeu na mesma moeda, ao expulsar dos EUA os chefes da diplomacia desses países, o boliviano Gustavo Guzmán e o venezuelano Bernardo Álvarez.

Esse "tiroteio" foi o último episódio de uma série de atritos e incidentes diplomáticos que caracterizaram as relações dos EUA com a Bolívia e a Venezuela nos últimos anos e, especialmente, em 2008.

Houve períodos na história entre EUA e América Latina nos quais as relações foram "péssimas", como antes da "política de boa vizinhança" do ex-presidente Franklin Delano Roosevelt, explicou à Agência Efe Norman A. Bailey, presidente do Institute for Global Economic Growth e professor do Institute of World Politics.

Mas, a ponto de fechar 2008, o estado das relações é o pior desde a Segunda Guerra Mundial.

"No período do pós-guerra não vi uma situação pior" que a atual entre EUA e América Latina, opina o analista.

No entanto, o legado que a Administração Bush deixa ao próximo Governo em sua política para a América Latina não é de todo mau.

Os EUA tiveram "relações bastante boas" com países importantes da América Latina, entre eles Brasil, México e Colômbia, além de Chile, Peru e Uruguai, segundo Bailey.

Bush teve uma agenda positiva na promoção de Tratados de Livre-Comércio (TLC) com países latino-americanos e também impulsionou, embora não tenha conseguido, uma reforma migratória.

Por outra parte, conjugou tais medidas positivas com outras negativas, como as sanções a entidades e cidadãos venezuelanos e a suspensão dos benefícios tarifários (ATPDEA) à Bolívia.

"O que é verdade é que a América Latina não foi nunca uma prioridade para os EUA desde o 11 de setembro (de 2001)", disse Bailey, que acha "muito pouco provável" que isso mude com o novo Governo.

O novo presidente não vai dar mais peso à América Latina que o Governo Bush, em parte porque tem duas guerras abertas e uma crise financeira a resolver.

Mas o tom poderia sim mudar sob o mandato de Obama, que disse estar disposto a dialogar com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e de Cuba, Raúl Castro.

É possível que facilite as viagens dos cubano-americanos à ilha e suavize algumas restrições em matéria de comércio.

Um assunto pendente para Obama será aprovar o TLC assinado com a Colômbia, principal aliada dos EUA na região. Ao pacto se opõem boa parte dos legisladores democratas e os sindicatos americanos.

A futura relação dos EUA com a América Latina dependerá também do que acontecer na Venezuela, onde a queda do preço do petróleo poderia obrigar Chávez a reduzir os subsídios a outros países, que, como conseqüência, poderiam suavizar sua atitude com relação a Washington.

Por enquanto, tanto Obama quanto os países latino-americanos com os quais os EUA tiveram relações difíceis este ano mostraram atitudes positivas sobre a nova etapa que começará em 20 de janeiro.

A primeira "prova de fogo" para Obama e os países latino-americanos será provavelmente a 5ª Cúpula das Américas, que acontecerá em abril em Trinidad e Tobago. EFE cae/jp

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