EUA e A.Latina apontam crime organizado como ameaça a estabilidade regional

Teresa Bouza Washington, 13 mai (EFE).- O crime organizado é uma das maiores ameaças para a prosperidade e a estabilidade na América Latina, segundo alertaram hoje altos funcionários da região e dos Estados Unidos durante a 39ª conferência anual do Conselho das Américas.

EFE |

"O crime organizado corrompe tudo o que toca caso não seja atacado a tempo", advertiu Fernando Gómez-Mont, secretário de Governo do México, cujo país trava uma dura e sangrenta batalha contra os cartéis da droga que operam em seu território.

Segundo ele, o crime organizado é uma "atividade transnacional que segue as regras da eficiência econômica" e a atuação coordenada nessa frente entre os países latino-americanos é "em benefício de todos".

"Não se deve subestimar a atividade criminosa em nenhum ponto de nosso continente", alertou Gómez-Mont.

Em termos parecidos falou o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, que afirmou que a cooperação internacional contra o tráfico de drogas "não é um presente", mas uma "responsabilidade" compartilhada.

Santos aproveitou a conferência realizada hoje na sede do Departamento de Estado em Washington para criticar os Governos europeus que, de acordo com ele, não apoiaram suficientemente a Colômbia na luta contra o tráfico ilícito de narcóticos.

Para o vice-presidente, os países consumidores geram o problema e têm que assumir parte da responsabilidade associada.

Santos qualificou também de "errada" a mensagem ouvida "especialmente da Europa" de que a guerra contra o tráfico de drogas não pode ser vencida.

Segundo ele, para obter a vitória é necessário contar com "instituições sólidas".

O vice-presidente pediu que EUA e Europa unam esforços para determinar como estabelecer números mais claros sobre o volume de negócios do narcotráfico, o que contribuiria para desenhar uma resposta mais adequada ao problema.

Santos recomendou também não "subestimar" o problema nem a "enorme" capacidade de adaptação dos criminosos e pôs como exemplo os cartéis do México, que exportam drogas não só aos EUA mas também ao Reino Unido.

O vice-presidente considerou "fundamental" a luta contra a corrupção e disse que uma imprensa livre tem um papel crucial nessa disputa.

O secretário de Estado americano adjunto para a América Latina, Thomas Shannon, afirmou que um dos assuntos mais críticos na região é a luta que o México e os países da América Central mantêm contra os cartéis da droga e do crime organizado.

O americano esteve de acordo também com os representantes latino-americanos em que é preciso enfrentar "de forma significativa" o problema das drogas nas nações que têm um mercado para elas.

Ele destacou, nesse sentido, a importância de lutar contra o tráfico ilícito de armas na fronteira entre EUA e México, assim como contra a lavagem de grandes quantidades de dinheiro que ajudam a financiar as atividades dos cartéis mexicanos.

Shannon mencionou também o desafio colocado pela atual crise global e defendeu a manutenção dos mercados abertos, dada a importância do comércio na hora de impulsionar o crescimento e ajudar no desenvolvimento social.

A 39ª conferência do Conselho das Américas conta também hoje com a participação da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que encerrará a reunião.

Entre os presentes estão também o secretário (ministro) de Fazenda mexicano, Agustín Carstens; o diretor do Conselho Nacional Econômico da Casa Branca, Lawrence Summers; o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza; e o secretário de Comércio americano, Gary Locke.

O Conselho das Américas é integrado por grandes corporações internacionais com interesse nas Américas e busca uma maior cooperação e integração econômica no continente. EFE tb/rr

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