EUA e Afeganistão deixam tensões para trás e olham para futuro

Céline Aemisegger. Washington, 11 mai (EFE).

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Céline Aemisegger. Washington, 11 mai (EFE).- Estados Unidos e Afeganistão se esforçaram hoje para deixar para trás, ao menos publicamente, suas recentes tensões e olhar para o futuro, e, apesar de não ter havido acusações e críticas diretas, os dois países deixaram claras suas exigências. Em Washington, o presidente afegão, Hamid Karzai, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, abriram o primeiro dia do diálogo bilateral que EUA e Afeganistão terão até a sexta-feira para delinear o que a chefe da diplomacia chamou de um futuro "partilhado" e os próximos passos a serem dados para estabilizar o país asiático. Nada foi percebido na retórica incendiária que ameaçou inclusive a visita de Karzai a Washington e sua reunião de amanhã na Casa Branca com o presidente Barack Obama. Em vez disso, o líder afegão encontrou um tapete vermelho de boas vindas. As tensões surgiram após uma visita de Obama a Cabul no final de março, onde pediu ao presidente afegão que intensificasse a luta contra a corrupção. Após a partida de Obama, Karzai acusou o Ocidente de responsabilidade na fraude eleitoral no Afeganistão no ano passado e ameaçou se unir aos talibãs. Karzai e Hillary tentaram hoje minimizar o episódio, e a secretária de Estado falou até de "confiança" entre ambas as nações. "Na medida em que avançamos não podemos esperar que EUA e Afeganistão concordem em todos os assuntos. Não faremos isso. Isso é um fato em uma relação entre duas nações soberanas", afirmou a secretária. Hillary Clinton assegurou também que a capacidade de discordar reflete um nível de confiança que é essencial para qualquer diálogo significativo e uma relação estratégica duradoura. O presidente afegão reconheceu que nem tudo é nem será um mar de rosas entre EUA e Afeganistão. "Como duas nações maduras e dois Governos maduros (...) teremos de vez em quando desacordos sobre alguns temas", disse. A visita de Karzai acontece seis anos depois de Obama apresentar sua nova estratégia para o Afeganistão e o Paquistão, que inclui o envio de mais de 30 mil soldados ao primeiro. Os EUA buscam começar a retirada do Afeganistão em junho de 2011 e, para poder levá-la à frente, precisam contar com um parceiro confiável na figura de Karzai. Hillary assegurou ao líder que o compromisso de Washington não deixará os afegãos abandonados após a retirada das tropas. "Deixarei isso claro: na medida em que buscamos uma transição responsável e ordenada depois da missão internacional de combate no Afeganistão, não abandonaremos os afegãos; nosso compromisso civil se prolongará durante muito tempo no futuro", prometeu. Hillary Clinton, que admitiu que os EUA não fazem "ilusões" sobre as dificuldades que haverá no caminho e qualificou o progresso no Afeganistão de "real, mas também frágil", quis, no entanto, deixar claras as inquietações de Washington. "Estabilidade a longo prazo requer melhorar a capacidade governamental em todos os níveis. Requer um esforço comum e ordenado contra a corrupção", destacou. No entanto, também aplaudiu "os passos dados pelo presidente Karzai para lutar contra a corrupção". Karzai, por sua vez, assegurou que "o Afeganistão seguirá fortalecendo suas instituições". Também expressou suas exigências, ao enfatizar que seu país buscará o respeito a sua independência judicial, e assegurou que seu Governo "protegerá a população civil", em referência às mortes em operações militares. O presidente afegão, que se reuniu hoje após as discussões em grupo com Hillary e visitou o hospital militar Walter Reed, pediu o apoio de Washington para a assembleia de paz com os insurgentes (jirga), a conferência internacional sobre o Afeganistão em 20 de julho e as eleições parlamentares de setembro. EFE cai/rr

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