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EUA e a ONU pedem a Mianmar ue facilite a ajuda estrangeira

Os Estados Unidos e a ONU pediram hoje às autoridades birmanesas que ajam com rapidez, 10 dias depois da passagem do ciclone Nargis, para evitar que a cifra de 32.000 mortos continue aumentando e para facilitar a ajuda externa que o regime militar deseja controlar.

AFP |

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exortou a junta militar de Mianmar a "dar prioridade à vida de seus compatriotas" e a acelerar o ingresso da ajuda internacional para as vítimas do ciclone Nargis.

Durante entrevista à imprensa, o chefe da ONU expressou "preocupação e imensa frustração ante a lentidão inaceitável da resposta a esta grave crise humanitária".

"Estamos em um ponto crítico", acrescentou. "Se mais ajuda não entrar rapidamente no país, corremos o risco de enfrentar epidemias de doenças infecciosas que poderão aumentar a dimensão da crise".

O presidente americano, George W. Bush, denunciou nesta segunda-feira a atitude da junta militar birmanesa depois da passagem do devastador ciclone Nargis pelo país, afirmando que "o mundo deveria estar com raiva e condenar" os militares.

"São insensíveis e isolados", disse Bush à rádio CBS em uma entrevista. "Não há como dizer quantas pessoas perderam suas vidas como resultado da ação lenta" das autoridades birmanesas após o desastre.

Ban Ki-moon lamentou que o governo de Mianmar "continue a recusar o fornecimento de vistos para a maior parte dos funcionários de organizações humanitários estrangeiras".

"Desta forma, não podemos chegar a um terço das pessoas mais expostas, ou seja, a cerca de 217.000", acrescentou.

Do mesmo modo, "o volume de alimentos que pôde entrar no país até agora equivale a menos de um décimo das necessidades", denunciou.

Apesar de reconhecer que o governo de Mianmar "tomou algumas decisões iniciais para reduzir as restrições", Ban Ki-moon insistiu em que "é necessário fazer muito mais".

O secretário-geral das Nações Unidas lamentou não ter tido condições de falar com o líder da junta militar, Than Shwe, apesar dos seus esforços incessantes desde a semana passada.

Além disso, indicou ter enviado nesta segunda-feira uma carta para a junta, através dos canais diplomáticos, a segunda desde que o ciclone atingiu Mianmar.

"Espero que o governo atue rapidamente para acelerar a emissão de vistos", assinalando que no caso de uma catástrofe de tal amplitude a ajuda de especialistas é indispensável.

A Casa Branca ofereceu 13 milhões de dólares em ajuda, e "isso eleva o total da ajuda do governo americano a 16,26 milhões de dólares", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

Os Estados Unidos também flexibilizaram nesta segunda-feira as normas de transferências de fundos pessoais para Mianmar, que poderão a partir de agora ser de um valor ilimitado com o objetivo de ajudar o país, informou o Departamento do Tesouro em um comunicado.

A junta militar anunciou que aceitava a ajuda externa, mas reiterou que serão as autoridades locais que vão controlar sua distribuição.

O regime birmanês, conhecido por sua paranóia e obsessão com a defesa de sua soberania, mostra-se reticente a que as operações de socorro sejam dirigidas por estrangeiros.

"Se não reagirmos agora e rapidamente serão perdidas mais vidas", advertiu a diretora adjunta do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Catherine Bragg.

Meia centena de voluntários que trabalham para a ONU e diversas Ongs continuam à espera de um visto para poder entrar em Mianmar.

Um dirigente da Cruz Vermelha assegurou que antes da noite de segunda-feira nove de seus aviões com ajuda humanitária haviam chegado a território birmanês.

Várias regiões de Mianmar seguem isoladas do mundo, dez dias depois da passagem do ciclone Nargis, admitiu a junta militar que governa o país e deseja controlar totalmente a distribuição de ajuda humanitária, no dia em que o primeiro avião americano pousou em Yangun.

Um avião militar C-130 americano, com ajuda para os desabrigados, pousou nesta segunda-feira. Este foi o primeiro vôo de ajuda dos Estados Unidos que a junta militar birmanesa autorizou a entrar no país.

O ritmo da ajuda de emergência internacional para os dois milhões de desabrigados se acelerou desde domingo, mas continua sendo muito inferior às gigantescas necessidades das vítimas.

bur-sls/jw/sd

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