EUA dizem ter matado um dos líderes da rede Haqqani no Paquistão

Segundo autoridades americanas, Janbaz Zadran desempenhava papel central na rede Haqqani em ataques a alvos ocidentais

iG São Paulo |

Janbaz Zadran, um chefe da rede militante Haqqani , foi morto nesta quinta-feira nas zonas tribais do noroeste do Paquistão, disse à AFP um alto funcionário americano que pediu para não ser identificado. "Foi confirmado que Janbaz Zadran, chamado Jamil, foi morto hoje no Waziristão do Norte", afirmou.

De acordo com a Associated Press, Jamil, que segundo autoridades americanas desempenhava um papel central na rede Haqqani para atacar alvos americanos no Afeganistão, foi morto em um ataque feito com aviões não tripulados.

O ataque ocorre ao mesmo tempo em que o enviado especial dos EUA para o Afeganistão e Paquistão Marc Grossman chegou ao Paquistão para tentar melhorar a relação entre Washington e Islamabad que vem piorando desde que autoridades americanas acusaram a agência de inteligência paquistanesa de colaborar com o Haqqani.

Dois outros militantes foram mortos no ataque ao reduto Haqqani, situado próximo à fronteira com o Afeganistão. Outro alto funcionário americano que pediu para não ser identificado disse que Janbaz Zadran fazia parte do círculo íntimo de Sirajuddin Haqqani, o líder da rede terrorista. De acordo com oficiais, os homens estavam andando pela rua quando foram atingidos pelos mísseis.

Também nesta quinta, outro ataque de mísseis atingiu um posto militante perto de Waziristão do Sul deixando seis mortos.

A rede Haqqani é uma das facções insurgentes mais organizadas que luta contra a presença americana no Afeganistão, e vem sendo responsabilizada por vários ataques contra os ocidentais em Cabul.

Washington pediu para que Islamabad ataque os militantes que se refugiam no Waziristão do Norte, apesar da presença das tropas do governo no local. Concomitantemente, os EUA buscam um diálogo com o Haqqani e outras redes talebans, pois percebe que tal insurgência não pode ser derrotada militarmente.

Aos jornalistas, Grossman, cuja missão é promover o processo de paz, falou sobre sua confiança de que os EUA e o Paquistão podem "se comprometer para um trabalho conjunto no futuro", sugerindo que muito ainda precisa ser feito para que sejam restauradas as relações entre os dois países.

No mês passado, oficiais americanos acusaram a agência de inteligência paquistanesa de estar envolvida nos ataques do Haqqani contra a embaixada americana em Cabul. O Paquistão negou as acusações.

Essas foram as mais sérias alegações do governo americano em relação a Islamabad nesses dez anos de guerra no Afeganistão e complicaram ainda mais as relações entre os dois países.

Analistas acreditam que o Paquistão apoia a rede até certo ponto, porque prevê o caos em que ficará o Afeganistão após a retirada americana e quer tornar do grupo um aliado contra sua maior inimiga na região, a Índia.

Desde 2008, os EUA tem regularmente realizado ataques na região fronteiriça, que é lar de militantes afegãos, paquistaneses e membros da Al-Qaeda. Somente em 2011, foram 50 ataques de aviões não tripulados, a maioria no Waziristão do Norte.

Com AFP e AP

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