EUA dizem querer melhorar relação com Bolívia

O subsecretário de Estado americano para assuntos da América Latina, Thomas Shannon, disse, nesta quarta-feira, em visita à Bolívia, que os EUA pretendem estabelecer um novo caminho nas relações com o país presidido por Evo Morales. Estamos aqui para implementar, juntos, grupos de trabalho dos dois governos para buscar uma maneira de aprofundar nossa relação, melhorar nosso diálogo e para desenhar um novo caminho nas nossas relações de trabalho, disse Shannon, em La Paz.

BBC Brasil |

"Esperamos um diálogo frutífero", disse.

A autoridade do governo do presidente Barack Obama disse que sua visita, acompanhado por comitiva, foi definida em um encontro recente entre a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca.

Pontos principais
Choquehuanca afirmou que o governo americano está "disposto" a trabalhar nas questões de interesse da Bolívia, como o acordo de preferências comerciais (ATPDEA), e "colaborar" na possível extradição do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada e dos ex-ministros Carlos Sánchez Berzáin (ex-ministro da Defesa) e Jorge Berindoague (ex-ministro de Minério e Hidrocarbonetos).

Sánchez de Lozada e os ex-ministros moram nos Estados Unidos e respondem à processo na Bolívia pelas mortes de 67 civis durante protestos em 2003.

Esta semana, eles não compareceram ao julgamento iniciado na Suprema Corte de Justiça.

Crise diplomática
A ATPDEA (Acordo de Preferências Tarifárias e Erradicação de Drogas na Região Andina, na sigla em inglês) existe desde o início dos anos 1990.

No ano passado, o governo do então presidente George W. Bush mandou suspender estas preferências para a Bolívia, sob argumento de que o país não estava cumprindo sua parte no combate às drogas.

As relações diplomáticas entre Bolívia e Estados Unidos entraram em crise em setembro passado, depois que Morales expulsou o então embaixador americano, Philip Goldberg, acusando o governo americano de conspirar contra sua administração.

A iniciativa de Morales levou o governo americano a expulsar o embaixador boliviano em Washington.

Dias depois das expulsões, os EUA incluíram, pela primeira vez, a Bolívia na lista de países que as autoridades de Washington classificam como produtores de drogas ou que são usados como corredores por traficantes.

Ao mesmo tempo, Morales anunciou a expulsão da DEA (o departamento americano de combate às drogas) da Bolívia.

Na ocasião, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também expulsou embaixador dos Estados Unidos de seu país, argumentando solidariedade com a Bolívia.

Obama
Com a chegada de Obama à Presidência dos Estados Unidos, a expectativa no governo boliviano era de retomar essa relação na forma de "um maior diálogo", como afirmaram autoridades do país em diferentes ocasiões.

Os dois países devem assinar acordos bilaterais e a agenda de Shannon prevê uma reunião, nesta quinta-feira, com Evo Morales.

A comitiva do governo americano é formada ainda pelo vice-presidente adjunto para Assuntos Internacionais de Narcóticos e Cumprimento da Lei (INL, sigla em inglês), Willian McGlynn, e a administradora adjunta da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Debbie Kennedy-Iraheta.

A visita de Shannon acontece pouco depois de o governo Obama anunciar a indicação do chileno-americano Arturo Valenzuela como novo ocupante do cargo de subsecretário de Estado para as Américas.

Valenzuela foi assessor do governo de Bill Clinton. Seu nome ainda precisa ser aprovado pelo Senado americano.

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