O governo dos Estados Unidos afirmou nesta sexta-feira que a resolução da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, a agência nuclear das Nações Unidas) condenando o Irã por construir uma instalação para enriquecimento de urânio em segredo mostra que a paciência da comunidade internacional com o governo iraniano está acabando. Nossa paciência, e também a da comunidade internacional, tem limite, e o tempo está se esgotando, disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

"Se o Irã se recusar a cumprir suas obrigações, será responsável por seu próprio crescente isolamento e suas consequências", afirmou.

Resolução
A resolução desta sexta-feira é a primeira aprovada pela AIEA em quase quatro anos e recebeu 25 votos a favor e três contra, com seis abstenções, incluindo a do Brasil.

A moção recebeu apoio inclusive da Rússia e da China, países que tradicionalmente apoiam o Irã. Apenas Cuba, Venezuela e Malásia votaram contra.

A agência da ONU também exigiu que o governo do Irã paralise imediatamente as atividades no local. As instalações, próximas à cidade de Qom, foram descobertas em setembro, o que aumentou os temores quanto ao programa nuclear iraniano. O Irã mantém outra instalação para enriquecimento de urânio em Natanz.

A resolução pede que o Irã revele o propósito das novas instalações e confirme que não está construindo nenhuma outra instalação secreta.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que sanções serão o próximo passo caso o Irã não responda ao que foi "uma votação muito clara".

O Ministério do Exterior da Rússia pediu que o Irã reaja "com total seriedade" à resolução.

Resposta
O governo iraniano, porém, disse que a resolução é "inútil". Teerã afirma que seu programa de enriquecimento de urânio é pacífico e tem como objetivo geração de energia.

Os Estados Unidos e parte da comunidade internacional, no entanto, temem que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares secretamente.

Um porta-voz do Ministério do Exterior do Irã, Ramin Mehmanparast, disse que a decisão da AIEA é "uma ação teatral com o objetivo de pressionar o Irã" e que seria "inútil", segundo informações da agência de notícias estatal iraniana Irna.

O embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse que a medida vai colocar em risco as chances de sucesso nas negociações a respeito do programa nuclear iraniano.

"A grande nação do Irã jamais irá se curvar à pressão e à intimidação, frente a seu direito inalienável aos usos pacíficos da energia nuclear", disse Soltanieh.

Proposta
A resolução da AIEA foi tomada um dia após o diretor da agência, Mohamed El Baradei, que está deixando o cargo, ter afirmado estar frustrado com a recusa do governo iraniano em aceitar uma proposta internacional para encerrar a polêmica em torno de seu programa nuclear.

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia - e a Alemanha, apresentaram uma proposta para o Irã.

A proposta, apresentada no mês passado, prevê que 70% do urânio iraniano com baixo grau de enriquecimento seja enviado à Rússia e à França para ser enriquecido e transformado em combustível nuclear, a fim de ser usado no Irã.

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