EUA dizem que não vão reconhecer eleição no Zimbábue

Os Estados Unidos não vão reconhecer o resultado do segundo turno das eleições do Zimbábue, marcadas para esta sexta-feira dia 27, afirmou à BBC uma autoridade do Departamento de Estado americano. Jendayi Frazer, do Departamento de Assuntos Africanos do Departamento de Estado, disse que o presidente Robert Mugabe não poderá reivindicar uma vitória legítima diante da campanha de violência que vem promovendo contra a oposição.

BBC Brasil |

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  • "As pessoas estão apanhando e perdendo suas vidas apenas por exercer seus direitos de votar em suas lideranças", disse Frazer.

    "Então não podemos, sob nenhuma condição, reconhecer o resultado (do segundo turno) caso ele ocorra."
    Outros países ocidentais, incluindo a Grã-Bretanha, pediram que a comunidade internacional isole Mugabe e declare sua presidência ilegítima se as eleições não forem justas e livres.

    Monitores eleitorais do Zimbábue disseram que não poderão atuar no segundo turno das eleições porque não receberam a permissão oficial do governo.

    Envio de tropas

    Em carta aberta publicada na edição desta quarta-feira do jornal britânico The Guardian, o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, defendeu o envio de uma força internacional ao Zimbábue e a realização de novas eleições presidenciais.

    Reuters
    Opositor de Mugabe participa de comício
     "Nós precisamos de uma força para proteger o povo. Nós não queremos um conflito armado, mas as pessoas do Zimbábue precisam que as palavras de indignação dos principais líderes mundiais sejam respaldadas pela integridade de uma força militar", disse Morgan Tsvangirai, que continua refugiado na embaixada da Holanda desde que anunciou, no domingo, que não participará do segundo turno das eleições.

    "Tal força ficaria o cargo de tropas de paz e não de instigadores da violência. Eles protegeriam as pessoas de seus opressores e lançariam um escudo para proteger o processo democrático do qual o Zimbábue tanto precisa".

    Nesta quarta-feira, líderes da Comunidade de Desenvolvimento do Sul da África (SADC, na sigla em inglês) se reúnem na Suazilândia para discutir a crise no Zimbábue.

    O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, que vem tentado mediar a crise no país vizinho, não participará do encontro.

    Segundo seu porta-voz, a reunião contará apenas com a presença de membros da Troika, o órgão de segurança da SADC, da qual a África do Sul não faz parte.

    A Troika é composta por Suazilândia, Angola e Tanzânia.

    Apesar dos apelos da comunidade internacional e das Nações Unidas para suspender o segundo turno, Robert Mugabe disse que as eleições serão realizadas na sexta-feira como planejado.

    "Eles podem gritar tão alto quanto quiserem de Washington ou de Londres. Somente o nosso povo poderá decidir e mais ninguém", disse Mugabe durante um comício na terça-feira.

    O presidente ainda afirmou que Tsvangirai abandonou a disputa pela presidência porque ficou com medo da derrota ao ver o "furacão político" vindo em sua direção.

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