EUA dizem acompanhar de perto crise no Irã, mas sem ingerência

Washington, 22 jun (EFE).- O Governo Barack Obama reiterou hoje que acompanhará de perto os eventos no Irã, mas sem se envolver no movimento gerado no país em protesto pelos resultados das eleições presidenciais.

EFE |

A postura do Governo americano gerou grande debate interno no país, onde a oposição republicana reprova Obama pelo que considera uma atitude "tímida e passiva" em relação aos iranianos que pedem reformas.

Em entrevista concedida ao canal "CBS" e transmitida hoje, o presidente frisou que os americanos não devem se envolver no movimento pós-eleitoral gerado no Irã e permitir que o regime atual transforme o debate sobre o resultado das eleições em uma discussão sobre os EUA.

"Isso é o que sempre vimos e não deveríamos entrar nesse jogo.

Não devemos nos tornar uma distração do que ocorre no Irã, do fato de que são os próprios iranianos os que fazem escutar sua voz", explicou.

O Governo americano, segundo Obama, acompanha de perto os eventos, embora como um observador.

"Agora a melhor coisa que podemos fazer é dar testemunho perante o mundo sobre os incríveis protestos que vimos" no Irã, ressaltou o presidente, que exigiu ao regime islâmico de Teerã que "detenha toda a violência e as ações injustas contra seu próprio povo".

Obama emitiu um comunicado em postura similar no sábado passado, oito dias depois de as autoridades iranianas proclamarem vencedor oficial das eleições o presidente Mahmoud Ahmadinejad, com mais que o dobro de votos em relação a seu principal rival, o moderado Mir Hossein Moussavi.

O presidente americano sabe que deve agir com muito cuidado em tudo relativo ao Irã, já que as autoridades iranianas já acusaram a imprensa dos EUA e do Reino Unido de tentar desestabilizar a nação e qualquer intervenção de sua parte pode ser contraproducente.

Obama também não quer causar um confronto com o regime, pois desde sua chegada à Casa Branca, ofereceu um novo diálogo ao Irã, baseado no respeito, caso este país acorde cumprir os compromissos internacionais.

Os republicanos consideram que essa posição é moderada de mais e ontem, em declarações ao programa "This Week" da "ABC", o senador Lyndsey Graham afirmou que "o presidente dos EUA deve liderar o mundo democrático".

A Casa Branca assegura que a mensagem de Obama evoluiu à medida que os eventos foram acontecendo.

Se nos primeiros dias insistia mais que o resultado eleitoral era uma questão interna iraniana, desde que na sexta-feira passada o líder espiritual do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, advertiu que os manifestantes seriam responsáveis por possíveis derramamentos de sangue, o presidente americano destacou o conceito de "justiça".

Especialistas como Jon Alterman, do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, opinam que o conceito de "justiça" está mais integrado na mentalidade do mundo muçulmano que o de "liberdade", palavra que era preferida pelo ex-presidente americano George W. Bush.

A Casa Branca também destaca que Obama se encontra muito interado dos eventos no Irã.

No sábado, teve uma série de reuniões sobre o Irã e no domingo participou de um encontro com seus assessores por meia hora no Salão Oval também sobre a situação na região.

Porém, a posição do chefe de Estado americano não lhe rendeu apenas críticas, mas também aliados.

Nesse sentido, o filho do derrubado xá Reza Pahlevi, Reza Cyrus Pahlevi, se mostrou hoje "encorajado" pelas recentes declarações de Obama.

A senadora democrata Dianne Feinstein destacou a importância de que o movimento de protestos tenha partido dos próprios iranianos.

"É crucial, como eu vejo, que não nos metamos nisso. É um movimento que realmente está inspirado no povo iraniano", declarou.

O republicano Richard Lugar afirmou que Washington deve se concentrar no programa nuclear do regime de Teerã, e não nas manifestações de rua.

Na sexta-feira passada, republicanos e democratas impulsionaram no Congresso uma resolução que condenou a violência contra os manifestantes pelo regime de Teerã e "a contínua repressão governamental". EFE mv/rr

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