EUA divulgam identidade de militares mortos em helicóptero no Afeganistão

Apesar de 15 dos 30 mortos serem da unidade ultrassecreta que matou Bin Laden, EUA dizem que nenhum deles participou diretamente da missão de maio

iG São Paulo |

AP
Soldados americanos durante operação com helicóptero Chinook, na província de Helmand, no Afeganistão (foto de arquivo)
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos publicou nesta quinta-feira uma lista com as identidades dos 30 militares americanos mortos em um ataque da milícia islâmica do Taleban no Afeganistão, que derrubou o helicóptero Chinook no qual viajavam juntamente com oito afegãos. O ataque foi o mais mortal para soldados americanos desde o início da guerra, em outubro de 2001.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que mais cinco militares americanos morreram no sul do Afeganistão, informou uma fonte militar dos EUA. Com a morte desses soldados, causada pela explosão de uma mina artesanal colocada numa estrada, o número de soldados da coalizão mortos no país asiático desde o começo do ano é de 387, segundo uma contagem da AFP com base no site especializado icasualties.org. Em 2010 foram 711 mortos.

Segundo o Pentágono, dos 30 americanos mortos na queda do helicóptero, 22 eram da Marinha, sendo 17 destes da infantaria ( Navy Seals , nome que em inglês significa "focas" e deriva das iniciais dos locais em que estão treinados para trabalhar – mar, ar e terra).

Dos 17, 15 pertenciam à unidade ultrassecreta que conduziu a operação que matou o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden , na cidade paquistanesa de Abbotabad , em 2 de maio . Apesar disso, na terça-feira o governo americano disse que nenhuma das vítimas da queda do helicóptero tinha participado da missão. Os outros dois pertenciam a uma unidade operacional regular dos Seals da Marinha.

Oficiais do Comando de Operações Espaciais, que supervisionam unidades como os Seals e o grupo Delta Force, haviam solicitado ao secretário de Defesa americano, Leon Panetta, que mantivesse os nomes em segredo por motivos de segurança.

Panetta considerou o pedido, segundo disse na quarta-feira o porta-voz do Pentágono, Dave Lapan, mas finalmente decidiu divulgar nome, categoria, idade, unidade à qual pertenciam e cidade de origem dos militares mortos.

Segundo Lapan, os comandantes das equipes de Operações Especiais afirmaram que publicar a identidade dos 17 Seals e de três membros da Força Aérea poderia ter "implicações na segurança", mas não entrou em mais detalhes. Lapan disse que Panetta "considerou cuidadosamente todos os aspectos" antes de dar sinal verde para a divulgação dos nomes.

Os militares morreram quando o helicóptero no qual viajavam foi abatido durante uma operação da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para desmantelar uma célula taleban no vale de Tangi, na Província de Wardak, a oeste de Cabul.

Além dos 30 americanos, morreram sete membros da força de segurança afegã e um tradutor. Os caixões com os corpos dos soldados chegaram na terça-feira à base aérea americana de Dover, onde foram recebidos pelo presidente dos EUA, Barack Obama.

Taleban desmente retaliação

Nesta quinta-feira, o Taleban negou que a Otan tenha matado os militantes que derrubaram o helicóptero. "Não é correto. Depois de ouvir o que disse o inimigo, entramos em contato com o combatente que derrubou o helicóptero, e ele não está morto. Está muito ocupado com a guerra santa em outra parte do país", disse à AFP um porta-voz. Segundo ele, quatro combatentes morreram no ataque americano, mas não os que derrubaram o helicóptero.

O general americano John Allen, comandante das forças internacionais no Afeganistão, afirmou na quarta-feira que as forças da coalizão liderada por seu país mataram os militantes que abateram a aeronave.

*Com EFE e AFP

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