EUA deveriam pedir que Zelaya se entregue às autoridades, diz jornal

Nova York, 23 set (EFE).- A melhor maneira de evitar que ocorra uma situação de violência em Honduras é que os Estados Unidos peçam ao deposto presidente hondurenho, Manuel Zelaya, que se entregue às autoridades, afirma hoje um editorial do diário The Wall Street Journal.

EFE |

"Agora que voltou a Honduras, a melhor solução para evitar a violência é que os Estados Unidos peçam a Zelaya que se entregue para que o detenham e o julguem", diz o jornal financeiro nova-iorquino, que acrescenta que o país centro-americano está em "um beco sem saída que os Estados Unidos ajudaram a criar".

Zelaya voltou na segunda-feira a Honduras, 86 dias após ser deposto e da chegada ao poder de Roberto Micheletti, e está refugiado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Para o "Wall Street Journal", que intitulou seu editorial como "A confusão hondurenha", se a Administração americana não sabia que Zelaya voltaria a Honduras esta semana, deveria ficar "decepcionada" e deixar de apoiar o deposto presidente.

"Zelaya utiliza esse santuário diplomático para pedir que o restitua no poder e para agitar seus partidários nas ruas. É um momento perigoso e, se a violência começar, os Estados Unidos deveriam ter parte não pequena da culpa", afirma o jornal.

O "Wall Street Journal" censura, assim, a atuação dos Estados Unidos perante a crise em Honduras, uma atitude que, para o jornal, "só deu força a Zelaya para não se negar a voltar à Presidência do país, com toda a violência e instabilidade a que isso poderia levar".

"O presidente (Barack) Obama e a secretária de Estado, Hillary Clinton, insistiram em que Honduras deve ignorar as transgressões de Zelaya e seus próprios procedimentos legais para restituí-lo como presidente", lamenta o diário, para o qual os Estados Unidos foram "longe demais" ao cortar, entre outras medidas, a ajuda que destina a um "país aliado".

O jornal insiste, como fez desde 28 de junho, em que Zelaya foi deposto não por um "antiquado golpe militar latino-americano", mas de maneira "legal" e por ordem do Tribunal Constitucional de Honduras, depois que "agitou as ruas com protestos para poder modificar a Constituição do país". EFE dvg/an

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