EUA deveriam evitar fazer de Bin Laden um mártir, diz Obama

Por Caren Bohan WASHINGTON (Reuters) - O candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, afirmou que, se Osama bin Laden for capturado vivo, o governo norte-americano deveria julgá-lo, mas de uma forma que evite transformar o líder da Al Qaeda em um mártir.

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Depois de reunir-se com seus principais assessores para a área de política externa, entre os quais alguns experientes diplomatas recrutados há pouco tempo, Obama devolveu as acusações lançadas pelo adversário dele na corrida presidencial, o republicano John McCain, segundo o qual o democrata não teria energia suficiente para combater o terrorismo.

Aliados de McCain, entre os quais o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, acusaram Obama de ter uma mentalidade 'pré-11 de setembro', o que significaria apostar em instrumentos convencionais para enfrentar o terrorismo.

Obama, por sua vez, ligou McCain às políticas de segurança nacional do atual presidente norte-americano, George W. Bush (que é republicano), descrevendo-as como 'desastrosas' e citando o fracasso em prender Bin Laden como uma prova disso.

'A história recente mostra que George Bush e John McCain foram ineficientes no combate ao terrorismo', afirmou o democrata a repórteres. 'As políticas deles fracassaram.'

Questionado por um repórter sobre como agiria caso Bin Laden fosse capturado durante sua Presidência, Obama respondeu: 'Talvez não consigamos capturá-lo vivo'.

'[Ainda assim] acho que o importante seria lidar com ele de forma a permitir que o mundo inteiro compreenda os atos criminosos cometidos por Bin Laden e de forma a não fazermos dele um mártir', acrescentou.

'E garantir com que os EUA atuem segundo convenções básicas, o que nos fortaleceria na batalha mais ampla contra o terrorismo.'

Obama, que criticou duramente o campo de prisioneiros montado na base naval dos EUA na baía de Guantánamo (Cuba) para manter acusados de terrorismo, citou os julgamentos de Nurenberg, nos quais nazistas foram processados pelos crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial, como um exemplo de como a justiça pode ser feita sem ferir 'um conjunto de princípios universais'.

Obama acusou a campanha de McCain de usar os ataques de 11 de setembro como uma 'clava política' e disse que isso não passava de um esforço para desviar a atenção do fracasso envolvendo a guerra no Iraque, a qual tiraria recursos dos esforços para tornar os EUA um local mais seguro. O candidato observou que Bin Laden continuava solto.

'Recuso-me a ter aulas sobre segurança nacional de pessoas que são as responsáveis pelo conjunto mais desastroso de decisões sobre política externa da história recente dos EUA', afirmou Obama.

(Reportagem adicional de John Whitesides)

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