EUA devem retirar 12 mil soldados do Iraque em seis meses

Por Tim Cocks BAGDÁ (Reuters) - Os Estados Unidos vão retirar cerca de 12 mil soldados do Iraque nos próximos seis meses, disse o Exército americano neste domingo.

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O anúncio é mais um passo no plano do presidente Barack Obama de encerrar as operações de combate em agosto de 2010.

"Duas brigadas de combate programadas para se deslocar nos próximos seis meses, juntamente com forças de apoio como logística, engenharia e inteligência, não serão substituídas", declarou o Exército em comunicado.

Reduzir o número de brigadas de combate no Iraque de 14 para 12 diminuiria o número de soldados americanos, atualmente em cerca de 140 mil, para 120 mil, disseram fontes militares.

Seis anos após a invasão liderada pelos EUA para derrubar Saddam Hussein, Obama planeja remover todas as tropas de combate do Iraque até 31 de agosto de 2010, deixando entre 35 e 50 mil soldados de apoio e treinamento à medida que Washington muda seu foco militar para o Afeganistão.

No mês passado, Obama ordenou o envio de 17 mil tropas adicionais para o Afeganistão para lidar com sua crescente insurgência.

De acordo com o pacto de segurança entre EUA e Iraque negociado pelo ex-presidente George W. Bush, que passou a valer no dia 1 de janeiro deste ano, os EUA devem retirar todas as suas tropas do Iraque até o final de 2011.

O major-general David Perkins, porta-voz das forças americanas no Iraque, disse em uma coletiva de imprensa que 4 mil tropas britânicas também deixarão o Iraque nos próximos meses.

A violência insurgente e sectária que tirou as vidas de dezenas de milhares de iraquianos e de mais de 4.500 soldados estrangeiros desde 2003 tem diminuído drasticamente, mas o Iraque continua sendo um lugar perigoso, e a insurgência continua a realizar ataques frequentes em locais como a cidade de Mosul, no norte do país.

Poucas horas antes das autoridades americanas anunciarem os planos de redução dos efetivos, um suicida munido de bombas matou 28 recrutas reunidos em uma academia de polícia de Bagdá, o primeiro ataque de larga escala na capital em quase um mês.

VIOLÊNCIA ININTERRUPTA

A violência ininterrupta suscita dúvidas sobre o preparo das forças iraquianas para assumir o comando da segurança poucos meses antes da retirada das forças de combate americanas, mais bem equipadas e treinadas, das cidades iraquianas.

"Vamos redirecionar os recursos no território baseados no nível de ameaça", disse Perkins.

As forças americanas no Iraque se concentram cada vez mais no treinamento das forças locais, cujos quadros diminuíram em centenas de milhares desde que foram desmantelados pelas autoridades americanas em 2003.

Embora a violência tenha diminuído, o Iraque ainda enfrenta graves ameaças à sua estabilidades, incluindo as profundas divisões de poder e de recursos que muitas vezes opuseram o primeiro-ministro Nuri al-Maliki a seus rivais políticos.

Essas divisões podem se exacerbar, já que o Iraque se prepara para eleições gerais marcadas para dezembro.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, deu a entender que seu país deve estar preparado para manter uma presença militar "modesta" para auxiliar as forças iraquianas depois de 2011 se solicitado pelo governo local.

Mas o porta-voz do governo iraquiano Ali al-Dabbagh, falando ao lado de autoridades americanas neste domingo, pareceu descartar essa possibilidades. "O governo iraquiano não tem intenção de aceitar a presença de tropas estrangeiras depois de 2011", disse ele.

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