EUA devem reforçar segurança de equipe que matou Bin Laden

Membros dos Seals expressaram preocupações sobre sua segurança e especialmente de seus parentes, diz secretário de Defesa dos EUA

iG São Paulo |

AP
Força de elite, seals recebem treinamento mais pesado das Forças Armadas (25/10/2010)
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, manifestou preocupação pela segurança dos membros do comando Seal da Marinha americana que matou Osama bin Laden em 2 de maio , afirmando que as medidas de segurança para os integrantes do grupo devem ser reforçadas.

"Quando me reuni com a equipe na quinta-feira passada, eles expressaram sua preocupação a respeito de sua segurança, especialmente de seus parentes", disse Gates em Camp Lejeune, na Carolina do Norte.

Depois acrescentou que não pode divulgar detalhes publicamente, mas que estuda "quais medidas podem ser tomadas para aumentar a segurança".

O ataque à casa-quartel de Bin Laden, há pouco menos de duas semanas, desencadeou uma onda de atenção dos meios de comunicação em torno do grupo de elite do comando Seal (sigla em inglês de navegação marítima, aérea e terrestre), o "Team 6", que realizou a operação.

Repórteres viajaram até a Virginia para tentar conseguir mais detalhes sobre os Seals, cuja base encontra-se em Dam Neck, e militares reformados estão sendo convidados regularmente a programas de entrevistas na televisão.

"Acredito que foi feito um esforço forte e consistente para proteger as identidades dos que participaram da missão. E acredito que isso deve continuar sendo feito", disse Gates, cujas declarações foram transmitidas ao vivo no canal de televisão do Pentágono.

A atuação dos mais de 20 militares do grupo que estiveram a cargo do ataque em helicópteros à casa de Bin Laden, no Paquistão, foi primeiro confirmada publicamente pelo diretor da CIA, Leon Panetta, e pelo vice-presidente americano, Joe Biden, nos dias posteriores à incursão.

Alvo de piadas

Muitos paquistaneses fazem piadas sobre a operação das Forças Armadas americanas que matou Bin Laden na semana passada nos arredores de Islamabad, onde ninguém consegue explicar como o líder da rede Al-Qaeda vivia tão perto nem como as autoridades desconhecessem o paradeiro do terrorista.

O estupor deu lugar às risadas nas conversas quando se trata das circunstâncias difíceis de entender como as autoridades paquistanesas não se deram conta da violação do espaço aéreo do país por parte das forças americanas.

As tropas entraram de helicóptero em território paquistanês pela fronteira afegã até a casa onde Bin Laden se escondia na localidade de Abbottabad , a cerca de 100 quilômetros de Islamabad, muito perto de uma academia militar.

"Revelou-se recentemente que Bin Laden era professor convidado na Academia Militar do Paquistão, onde ensinava Terrorismo Global", diz uma das brincadeiras que circulam por mensagens de texto e pela internet.

"Sistema de radares paquistanês à venda: US$ 99,99. Compre um e leve outro de graça (não podem detectar helicópteros dos EUA, mas podem receber Star Plus)", indica outra das mensagens, em referência a um conhecido canal de televisão local.

O governo e o Exército admitiram "erros" de Inteligência e se defenderam ao dizer que os helicópteros americanos tinham a tecnologia necessária para burlar os radares, algo que não impediu mais brincadeiras.

"A nação não deve se preocupar, já pedimos sistemas de alimentação para nossos radares", ironiza outra piada, que se refere aos contínuos cortes de fornecimento de energia que atingem o país.

Não só as mensagens de texto pelos celulares, mas também as redes sociais como Twitter, serviram para que os paquistaneses usassem o tom de humor após o episódio letal.

Com o rótulo "#PakistanAntiJokes" (Paquistão contra piadas), os tuiteiros destacam as contradições do governo de Islamabad, como a alegação das autoridades de que não sabiam nada sobre a operação militar americana, mas tinham fornecido informações de Inteligência para que os EUA pudessem descobrir o paradeiro de Bin Laden.

"O Paquistão tem duas equipes. Uma convencendo o mundo de que apoiaram a operação e a outra convencendo a Al-Qaeda de que não o fizeram", diz uma das brincadeiras.

Alguns lembram que era um segredo Bin Laden residir no Paquistão, mas a maioria achava que o terrorista se escondia nas regiões tribais que fazem fronteira com o Afeganistão. "A conta do Facebook de Bin Laden não mudou de RIP. Antes já era 'Resting in Pakistan' (Descansando no Paquistão)", é outra das piadas.

Mesmo um tabu como o chamado jogo duplo de Islamabad - a teoria de que o Paquistão garante ao Ocidente que luta contra o terrorismo, mas encobre grupos terroristas - já caiu na boca do povo paquistanês no mesmo dia em que os EUA anunciaram a morte de Bin Laden.

"As coisas devem estar muito mal no Paquistão quando nem sequer Osama está a salvo aqui", satiriza uma mensagem que circulava em Abbottabad, já no mesmo dia em que a operação foi lançada.

Apesar disso, nas primeiras horas após a morte de Bin Laden, mais do que o humor, o ceticismo e a indiferença predominavam entre os moradores. "Não acredito", era a reação mais frequente entre a população, ainda desconfiada sobre a credibilidade das informações sobre a morte de Bin Laden quando souberam que o corpo do terrorista tinha sido jogado ao mar.

Segundo uma pesquisa dos institutos britânicos YouGov e Polis (da Universidade de Cambridge), 66% dos paquistaneses não acreditam que os Estados Unidos mataram o líder da Al-Qaeda, em uma operação que desperta ironias, mas também antiamericanismo.

*Com AFP e EFE

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