EUA desconhecem destino dos US$ 350 bilhões para ajudar bancos

César Muñoz Acebes. Washington, 25 jan (EFE).- O Governo dos Estados Unidos percebeu que não tem ideia sobre o que aconteceu com os US$ 350 bilhões dados aos bancos para que voltassem a conceder empréstimos, mas sabe que a linha de crédito quase não aumentou.

EFE |

"Algumas das notícias que lemos nos últimos dias falam de empresas que receberam ajudas e as usaram para reformar os banheiros ou os escritórios", criticou na sexta-feira o presidente americano, Barack Obama.

Vale ressaltar que US$ 350 bilhões é mais do que os argentinos produzem em um ano.

Neil Barofsky, encarregado de fiscalizar o uso dos fundos, admitiu que "praticamente se desconhece o que aqueles que receberam os investimentos do Departamento do Tesouro fizeram com o dinheiro e seus planos para cumprir os requisitos de compensação".

O programa impôs algumas restrições à remuneração dos diretores, mas os banqueiros aparentemente não tiveram problemas em se desviar desse obstáculo.

O caso mais flagrante até agora foi o do banco de investimento Merrill Lynch, que, em dezembro, concedeu aos executivos entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões em bonificações por bom desempenho, segundo revelou o jornal "The "Financial Times".

O conselho diretivo do Merrill distribuiu as gratificações dias antes de informar de perdas no valor de US$ 21,5 bilhões no quarto trimestre, e enquanto o Bank of America, que comprou o banco em outubro, batia à porta do Governo para pedir mais ajudas para levar à frente a operação.

As bonificações foram aprovadas em dezembro, em vez de em janeiro, como é comum, aparentemente para impedir que o Bank of America impedisse a decisão.

No final, quem pagou por tudo foi o contribuinte americano, que concederá empréstimos no valor de US$ 45 bilhões ao Bank of America.

Ao mesmo tempo que receberam o dinheiro do Governo pela péssima situação econômica, os bancos deram continuidade a seus programas de relações públicas para ganhar a simpatia do Congresso, informou o jornal "The Wall Street Journal".

O Bank of America, por exemplo, gastou no ano passado mais de US$ 4 milhões com esse objetivo, contra US$ 1 milhão em 2007.

Barofsky disse que pedirá às entidades que se beneficiaram do fundo de resgate que expliquem em um prazo de 30 dias o que fizeram com os recursos recebidos.

O objetivo do plano era que a injeção de capital lhes permitisse retomar a concessão de empréstimos para a compra de automóveis e casas, e lhes desse margem para ser flexíveis com os proprietários com dificuldades para pagar as prestações do imóvel.

Em vez disso, tudo indica que a maioria dos bancos aumentou suas reservas ou pagou dívidas e não concedeu mais empréstimos por medo de que a crise levasse o prestatário à falência.

Isso provavelmente será benéfico às instituições, mas não ajudará em nada o cidadão, que sofre as consequências de uma recessão aguda originada em grande medida pelos riscos excessivos que os banqueiros assumiram em seu desejo de enriquecer.

Os bancos não têm a obrigação de divulgar que fizeram com o dinheiro, conforme as regras do programa aprovado em outubro.

A Administração também não pode forçar as instituições a conceder empréstimos, porque comprou ações nos bancos sem direito a voto, de forma intencional, explicou na época o secretário do Tesouro Henry Paulson, porque não queria que o Governo dirigisse as entidades.

Restam US$ 350 bilhões do fundo de resgate, e Obama quer usá-los, apesar das críticas ao programa, mas prometeu "mais transparência e controle".

Muitos banqueiros resistiram até agora ao pedido para colaborar em momentos de dificuldade. Por exemplo, John Thain, que até quinta-feira era o principal executivo do Merrill Lynch, gastou US$ 1,2 milhão para reformar seu escritório há um ano, quando o banco perdia bilhões de dólares.

Seu decorador foi Michael Smith, o mesmo escolhido por Michelle Obama para mudar a cara da Casa Branca. Neste caso, a conta para o contribuinte só subiu para US$ 100 mil. EFE cma/db

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