EUA descartam que cúpula da América Latina e Caribe ameace seus interesses, diz Shannon

SÃO PAULO - Os Estados Unidos não consideram que seus interesses possam ser ameaçados pelo diálogo promovido pelos países latino-americanos na Cúpula da América Latina e Caribe, cuja segunda edição começou nesta segunda-feira no México, afirmou nesta segunda-feira o embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon.

iG São Paulo |

"Não vemos (o novo fórum) como uma forma de excluir os Estados Unidos. Não acho que se trate de uma OEA (Organização dos Estados Americanos) sem os Estados Unidos. Consideramos como algo bom que os países da América Latina melhorem sua integração", afirmou em São Paulo, em referência à expectativa de que os participantes do encontro anunciem na terça-feira a formação de uma 'OEA do B'. A nova instituição não contaria com a participação dos EUA e Canadá, só incluindo países da América Latina e Caribe.

"Do nosso ponto de vista, estamos tendo um momento de muito diálogo e integração em toda a América. Os países do hemisfério estão interessados em encontrar formas de intensificar o diálogo", disse Shannon, até poucos meses atrás subsecretário de Estado americano para a América Latina.

"Do nosso ponto de vista, trata-se de algo bom", acrescentou o embaixador na entrevista coletiva que concedeu após sua reunião com os dirigentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A chamada Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe, que reúne 32 países, foi aberta no balneário mexicano de Playa del Carmen com uma participação histórica de chefes de Estado.

Participam da reunião, que alguns países da região pretendem transformar em um novo fórum de diálogo regional, 25 chefes de Estado dos 32 países que a compõem. A primeira cúpula ocorreu em dezembro de 2008, na Bahia.

Segundo Shannon, os EUA estão dispostos a apoiar qualquer organização que permita aprofundar o diálogo e a integração entre os países da América Latina. "A OEA continuará sendo a OEA, uma organização importante", acrescentou.

Sobre as relações dos EUA com o Brasil, onde assumiu como embaixador neste ano, Shannon disse que Washington está disposto a encontrar uma solução alternativa para resolver as divergências nas relações comerciais entre os dois países.

"Buscamos soluções que possam aprofundar as relações. As relações comerciais são muito importantes", afirmou Shannon ao comentar a intenção do Brasil de impor aos EUA represálias comerciais da ordem de US$ 830 milhões autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em agosto, a OMC autorizou o Brasil a aplicar sanções aos EUA, em resposta à rejeição americana a eliminar seus subsídios sobre o algodão.

"Não posso entrar em detalhes neste momento, mas é uma situação em que há boas possibilidades de encontrarmos uma solução", assegurou o diplomata.

*Com informações da EFE

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