EUA descartam escudo antimísseis na Europa

Por Jeff Mason WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, descartou nesta quinta-feira os planos para um grande escudo antimísseis no leste da Europa, prometendo, em lugar dele, um sistema de defesa mais forte e veloz para proteger aliados dos EUA contra qualquer ameaça possível vinda do Irã.

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Num anúncio breve, Obama disse que está desistindo do plano de basear mísseis interceptores na Polônia e construir um sistema de radares na República Tcheca. A decisão pode aliviar as tensões com a Rússia, mas também alimentar receios regionais sobre o ressurgimento da influência do Kremlin.

"A melhor maneira de promover de maneira responsável nossa segurança e a segurança de nossos aliados é instalar um sistema de defesa antimísseis que responda melhor às ameaças que enfrentamos e que faça uso de tecnologia comprovada e com boa relação custo-benefício," disse Obama.

Moscou disse que saúda a decisão de descartar os planos, que vinham complicando os esforços dos EUA para conseguir o apoio da Rússia com relação ao Afeganistão, Irã e o controle de armas nucleares.

Mas críticos se apressaram a acusar a Casa Branca a agir sem firmeza no setor de defesa ao desistir do projeto, que suscitara esperanças de contratos de valores altíssimos para grandes empresas americanas do setor da defesa.

O ex-candidato presidencial republicano senador John McCain criticou a iniciativa, que qualificou como "seriamente equivocada."

A administração Bush tinha proposto a construção do escudo antimísseis, em meio a temores de que o Irã estaria tentando desenvolver ogivas nucleares que poderia montar sobre mísseis de longo alcance.

AMEAÇA É REAVALIADA

A intenção era que o escudo servisse de defesa contra possíveis mísseis de longo alcance lançados por Estados "irresponsáveis" como Irã e Coreia do Norte. A Rússia o via como ameaça a suas defesas antimísseis e sua segurança geral.

Os Estados do leste europeu, especialmente a Polônia e os países bálticos, viam o escudo antimísseis como símbolo do compromisso dos EUA com a defesa da região contra qualquer avanço da Rússia, 20 anos após o fim do governo comunista.

Obama informou os governos tcheco e polonês de sua decisão horas antes do anúncio, disseram autoridades.

Funcionários do Pentágono disseram que a decisão de desistir do escudo foi tomada com base em informações da inteligência indicando que o Irã quer desenvolver mísseis de curto e médio alcance, e não os mísseis intercontinentais de longo alcance inicialmente temidos.

O futuro dos planos de defesa antimísseis americanos envolvem contratos de muitos bilhões de dólares.

A Boeing, segunda maior fornecedora de equipamentos ao Pentágono, anunciou no mês passado uma proposta para construir um míssil interceptor móvel, visando reduzir os temores da Rússia em relação a pontos americanos fixos na Europa. A Boeing também cogitava em construir um interceptor de 21.500 quilos que poderia ser levado às bases da Otan por via aérea, conforme a necessidade.

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