EUA deportam à Alemanha acusado de crimes nazistas

(atualiza com partida de Demjanjuk rumo à Alemanha). Washington, 11 mai (EFE).- O suposto ex-guarda nazista John Demjanjuk foi deportado hoje de um aeroporto da cidade de Cleveland (Ohio, Estados Unidos) à Alemanha, onde é acusado de ter contribuído ao extermínio de 29 mil judeus.

EFE |

Demjanjuk, de 89 anos, foi levado de ambulância até o aeroporto Burke Lakefront, de Cleveland, de onde partiu em direção à cidade de Munique, na Alemanha.

As autoridades alemãs devem submetê-lo a julgamento por suposta colaboração no Holocausto como guarda no campo de concentração de Sobibor, na atual Polônia.

Uma de suas tarefas era dirigir os judeus dos trens para as câmaras de gás, segundo a Procuradoria dos EUA e o tribunal da Alemanha que pediu sua deportação.

O ucraniano nega as acusações e diz que lutou nas fileiras soviéticas e que foi capturado pela Alemanha, que o manteve como prisioneiro até 1944.

"Dada a história deste caso e o fato de não haver uma só prova de que tenha feito dano a alguém e menos ainda de que tenha assassinado alguém em lugar algum, isto é desumano mesmo se os tribunais dizem que é legal", disse hoje em comunicado o filho do acusado, John Demjanjuk Junior.

A declaração afirma que a família continuará apelando nos tribunais dos Estados Unidos, inclusive se Demjanjuk estiver na Alemanha.

Hoje, ele recebeu a visita dos filhos e netos, e de dois sacerdotes de sua paróquia. Às 16h (de Brasília), os agentes chegaram à sua casa, em Seven Hills, Ohio, conforme mostraram as televisões locais, que aguardavam desde sexta-feira à porta do imóvel do ucraniano perante a iminência da deportação.

A ambulância o levou aos escritórios do Serviço de Imigração e Alfândega, de onde foi transferido ao aeroporto de Cleveland.

Sua deportação porá fim a anos de disputas legais para impedir sua volta à Alemanha.

Os Estados Unidos deportaram Demjanjuk pela segunda vez, já que em 1986 ele foi extraditado a Israel, onde em primeira instância foi condenado à morte por ser o guarda conhecido como "Ivan, o Terrível" do campo de concentração de Treblinka.

No entanto, a Suprema Corte israelense anulou a condenação em 1993 ao concluir que provavelmente "Ivan" não era ele, mas outro ucraniano.

O ucraniano retornou aos EUA, onde havia tido retirada sua cidadania após o processo israelense, e viveu desde então como apátrida.

Em 2005, um tribunal americano ordenou sua deportação após concluir que ele realmente foi um guarda nazista em outros campos de concentração. EFE tb/db

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