EUA deixam Assembleia da ONU em discurso de Ahmadinejad

Representantes americanos e de outros países saíram do plenário; presidente do Irã voltou a colocar em dúvida o 11 de Setembro

iG São Paulo |

Reuters
O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, fez um discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York
Diplomatas dos Estados Unidos deixaram a Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira, enquanto o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, fazia um discurso anti-americano, caracterizando o país como um poder arrogante, governado pela ganância. Dezenas de representantes de países ocidentais, como a França, se retiraram do local logo depois.

Ahmadinejad também atacou os EUA pela sua história de escravidão, acusando-os de ter causado duas guerras mundiais e usado uma bomba nuclear contra "pessoas indefesas". Ele também disse que Washington era o culpado por impôr e apoiar ditaduras militares e regimes totalitários na Ásia, África e América Latina.

Mark Kornblau, porta-voz da missão americana para as Nações Unidas, declarou que Ahmadinejad perdeu a oportunidade de falar por seu povo. "Ahmadinejad tinha a chance de falar sobre as aspirações de seu povo pela liberdade e dignidade, mas em vez disso, ele mais uma vez voltou sua atenção para insultos antisemitas repugnantes e teorias conspiratórias desprezíveis."

O líder iraniano acusou os EUA de ameaçar com sanções qualquer um que questione o Holocausto e o 11 de Setembro . Ahmadinejad afirmou que alguns países da Europa - sem identificá-los - ainda usam o Holocausto "como uma desculpa para pagar multas aos sionistas". Ele também falou que quando a ideia de uma investigação independente acerca dos "elementos escondidos" por detrás dos ataques do 11 de Setembro foi levantada no ano passado, ele disse, "meu país e eu mesmo fomos pressionados e ameaçados pelo governo americano".

"Em vez de atribuir uma equipe de investigação, eles mataram o autor principal e jogaram seu corpo no mar", disse, em referência à operação militar americana que culminou na morte de Osama bin Laden em maio.

Impasse nuclear

O presidente iraniano, afirmou, em entrevista ao jornal The New York Times publicada nesta quinta, que pode interromper a produção de urânio enriquecido em seu país, se o Ocidente se comprometer a fornecer o material nuclear.

"Se nos fornecerem urânio enriquecido a 20% a partir desta semana, nós vamos parar de enriquecer o urânio agora. Nós queremos apenas urânio enriquecido a 20% para nosso consumo interno", assegurou Ahmadinejad.

AP
Diplomatas americanos e de outros países ocidentais deixam plenário durante discurso

O Irã foi alvo de seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU, quatro delas com sanções, que condenam seu programa nuclear. Teerã afirma que não busca uma arma nuclear, mas os governos ocidentais estão convencidos do contrário.

A UE está "aberta para se sentar e conversar com o Irã, obviamente sem condições prévias", disse nesta quinta-feira Maja Kocijancic, porta-voz da chefe de Relações Exteriores Catherine Ashton.

Com AP e Reuters

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