EUA defenderão Afeganistão e adesão de ex-soviéticos na cúpula da Otan

Macarena Vidal Washington, 1 abr (EFE).- Os Estados Unidos vão à cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bucareste com uma mensagem de apoio ao Afeganistão e favoráveis à adesão de Ucrânia e Geórgia à aliança político-militar, o que pode ter resistência entre países contrários a uma ampliação do bloco.

EFE |

O presidente dos EUA, George W. Bush, chegará a Bucareste para a cúpula do órgão, que será realizada de amanhã até sexta-feira, procedente de Kiev.

Bush partiu nesta segunda-feira de Washington rumo à Ucrânia, na primeira etapa de sua viagem pelo Leste da Europa, que tem como um dos objetivos pressionar aliados para incluir o Governo do presidente Viktor Yushchenko na Otan.

Na semana passada, Bush recebeu o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, na Casa Branca, em uma reunião na qual deu seu apoio explícito à incorporação de Tbilisi na Otan.

Os dois países buscam obter o status conhecido como Plano de Ação para Adesão (MAP, na sigla em inglês) à Otan, um primeiro passo para uma possível integração completa no futuro. Espera-se que o órgão multilateral ofereça, durante a cúpula desta semana, convite para entradas formais de Croácia, Albânia e, possivelmente, Macedônia.

Em sua reunião na Casa Branca, Bush afirmou a Saakashvili que o "MAP é um processo que permitirá aos membros da Otan sentirem-se cômodos com o fato de o país acabar se integrando" à aliança político-militar, e que a "Otan se beneficiaria em ter a Geórgia como Estado-membro".

Segundo Sally McNamara, analista política para assuntos europeus do Centro Margaret Thatcher para a Liberdade, da Fundação americana Heritage - centro de pesquisa e opinião de caráter conservador -, Bush "deixou muito claro que conseguir a entrada desses países (Geórgia e Ucrânia) na Otan é uma prioridade".

Outros Estados-membros, como Alemanha e França, se mostraram mais reticentes a uma nova ampliação do órgão rumo à região leste da Europa, frente ao temor de um choque contra uma Rússia cujo novo presidente, Dmitri Medvedev, já expressou rejeição taxativa ao tema.

Mas as relações entre Washington e Moscou já se encontram em um ponto muito frio, diante de desacordos não só sobre a ampliação da Otan, mas também com relação ao escudo antimísseis que os EUA pretendem instalar na Europa e à independência do Kosovo.

Nesse sentido, Bush anunciou uma reunião com o presidente em fim de mandato russo, Vladimir Putin, em Sochi (sul da Rússia) após a cúpula, no próximo domingo, para tratar de resolver os desacordos.

Bush dedicará também grande parte de sua visita a Bucareste a um dos países que terão sua situação interna debatida na cúpula, o Afeganistão.

Os EUA fizeram reiteradas chamadas aos Estados-membros da Otan para que o número de tropas desdobradas no país asiático fosse ampliado, especialmente na região sul, onde o movimento talibã ganha força. O presidente afegão, Hamid Karzai, também participará da cúpula de Bucareste.

A Casa Branca também espera que os demais integrantes da Otan debatam a missão da aliança político-militar no Kosovo.

Segundo lembrou o subsecretário de Estado americano para a Europa, Kurt Volker, a Otan mantém uma missão de paz para oferecer liberdade de movimento e "proteger minorias e instituições".

A Otan, segundo Volker, "deixará claro na cúpula que tem a intenção de seguir desempenhando essas atividades".

Além disso, os EUA esperam que seja abordado o assunto do escudo antimísseis que o Pentágono pretende instalar na Polônia e na República Tcheca.

"É perfeitamente apropriado que a Otan reconheça a contribuição dos EUA e de outros para um sistema de defesa que possa proteger os territórios e a população abrangidos pela Aliança, e que estude o que mais deveria ser feito visando ao futuro", acrescentou o subsecretário.

Além de Bucareste, Kiev e Sochi, o presidente americano visitará, em sua viagem pela região leste da Europa, Zagreb. EFE mv/fr

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