EUA defendem verificação de presença das Farc na Venezuela

Departamento de Estado apoia proposta de Bogotá de enviar equipe para buscar acampamentos guerrilheiros em país vizinho

iG São Paulo |

O Departamento de Estado dos EUA afirmou nesta sexta-feira que apoia a proposta feita na quinta-feira pela Colômbia de que a Organização de Estados Americanos (OEA) estabeleça uma comissão internacional que verifique em 30 dias a presença de guerrilheiros na Venezuela.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, o departamento afirmou que as denúncias feitas por Bogotá quanto à presença das guerrilhas colombianas na Venezuela devem ser levadas muito a sério.

"A Venezuela tem uma obrigação com a Colômbia e com a comunidade internacional de investigar completamente essa informação e atuar para prevenir o uso de seu território soberano por grupos terroristas. Todos os países do continente esperam que os países da comunidade interamericana cumpram com o compromisso (de rejeitar a presença de grupos ilegais)", indicou o Departamento de Estado.

Durante reunião extraordinária na OEA, o embaixador colombiano no órgão, Luis Hoyos, afirmou que existem 87 acampamentos guerrilheiros na Venezuela , onde estariam 1,5 mil guerrilheiros. Em resposta às acusações, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, rompeu na quinta-feira as relações diplomáticas com a Colômbia e ordenou alerta na fronteira ante uma possível agressão.

O embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, negou as acusações nesta sexta-feira, afirmando que grupos irregulares colombianos cruzaram a fronteira entre os dois países em "muitas" ocasiões, mas foram combatidos e até mesmo causaram baixas às Forças Armadas venezuelanas.

As Forças Armadas Venezuelanas disseram nesta sexta-feira que estão preparadas para repelir de forma contundente uma eventual invasão de seu território . "Conte o povo venezuelano e o governo colombiano com uma resposta contundente por parte da Força Armada Nacional Bolivariana se forças estrangeiras tentarem violar de alguma maneira o sagrado território", disse o ministro da Defesa da Venezuela, Carlos Mata, em declarações à televisão estatal.

Os países - que compartilham uma fronteira de 2,2 mil quilômetros - mantinham as relações congeladas desde 28 de julho de 2009 por causa da denúncia de Bogotá de que havia encontrado armas venezuelanos com as guerrilhas e por causa de um convênio militar firmado por Colômbia e EUA, que permite a Washington usar pelo menos sete bases em território colombiano. Segundo Chávez, o acordo é uma tentativa de desestabilização.

Chávez ordenou em 2008 a mobilização de tanques na fronteira, em reação a uma operação militar colombiana em solo equatoriano em que morreu o número 2 da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes.

Situação nas fronteiras

Apesar de o presidente esquerdista ter acionado o "alerta máximo" nos pontos fronteiriços, as autoridades venezuelanas não relataram nenhuma mobilização adicional de militares. A Colômbia descartou a possibilidade de reforçar as fronteiras.

Segundo porta-vozes militares venezuelanos e a imprensa local, a situação na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia é de "total tranquilidade" nesta sexta-feira. As fontes asseguram que as fronteiras nos Estados de Táchira, na zona andina, e de Zulia, no noroeste da Venezuela, estão tranquilas.

A passagem de veículos de carga e particulares, assim como de pessoas, "está aberta" nas duas pontes internacionais do Estado de Táchira, declarou o general Franklin Márquez, do Comando Regional Número Um da Guarda Nacional à televisão estatal "VTV". O chefe militar informou que estão sendo "feitos controles efetivos para a entrada (na Venezuela) de pessoas" provenientes da Colômbia e ressaltou o reforço da vigilância nas passagens fronteiriças.

Além disso, a imprensa local também informou que a situação é tranquila na zona fronteiriça de Zulia, onde estão em funcionamento as alfândegas e as passagens de pedestres, mas que os controles no trânsito de pessoas aumentaram.

Repercussão internacional

Desde que Chávez anunciou o rompimento de relações com a Colômbia, diversos países pediram diálogo e fizeram ofertas de ajuda para resolver a nova crise nas relações entre dois países vizinhos. Os governos da Espanha, França e Rússia enviaram mensagens a ambas as partes para pedir o diálogo e também "cautela".

No mesmo sentido se pronunciaram na quinta-feira a OEA e seu secretário-geral, José Miguel Insulza, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e vários governos latino-americanos.

Segundo informações da imprensa argentina não confirmadas oficialmente, o presidente do Equador, Rafael Correa, propõe-se a fazer a mediação entre Colômbia e Venezuela com o apoio do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, secretário-geral da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

O Equador está em processo de normalização de relações com a Colômbia, país com o qual não tem relações em nível de embaixadores desde março de 2008, por causa da ação que matou Raúl Reyes.

*Com Reuters, EFE e AFP

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