moldará século XXI - Mundo - iG" /

EUA defendem cooperação mais profunda com a China, que moldará século XXI

Céline Aemisegger. Washington, 27 jul (EFE).- O Governo dos Estados Unidos considera que suas relações com a China moldarão o século XXI e, por isso, defende uma cooperação mais profunda com Pequim, um objetivo que começa a ser definido hoje, em um diálogo econômico e estratégico entre os dois países.

EFE |

O diálogo, o primeiro realizado pelo Governo do presidente Barack Obama, começou hoje com uma cerimônia de inauguração, na qual as delegações dos dois países afirmaram que esperam uma nova e mais ampla agenda comum, que sirva de base para avançar em direção a uma cooperação positiva, construtiva e integral, em áreas bilaterais, regionais e globais.

Obama mostrou sua opinião sobre como devem ser os laços entre as duas potências durante seu mandato, ao afirmar que "as relações entre os EUA e a China moldarão o século XXI" e que sua cooperação criará melhores condições para o mundo, porque a capacidade de colaboração entre Washington e Pequim "é um pré-requisito para avançar em muitos dos desafios globais mais urgentes".

O presidente, que não participará do diálogo realizado entre hoje e amanhã e que será presidido pela secretária de Estado, Hillary Clinton, pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, além do conselheiro de Estado da China, Dai Bingguo, e o vice-primeiro-ministro, Wang Qishan, mencionou quatro áreas essenciais nas quais deseja aprofundar a cooperação com Pequim.

O primeiro ponto, e talvez o mais urgente, é a colaboração das duas potências para uma recuperação econômica mundial.

Neste sentido, defendeu a estabilidade financeira, através de reformas reguladoras e maior transparência, livre-comércio justo, um acordo sobre a Rodada de Doha e uma mudança nas instituições internacionais, para que as economias fortes, como a China, possam ter um papel mais importante.

O secretário do Tesouro americano indicou que o êxito da China na transformação de sua economia rumo a um crescimento liderado pela demanda doméstica, com um maior peso do consumo e dos serviços, em vez de seguir impulsionando a indústria pesada e as exportações será essencial para "conseguir uma recuperação mais rápida, mais equilibrada e mais sustentável".

O vice-primeiro-ministro chinês, por sua parte, afirmou que, "atualmente, a economia mundial se encontra no crítico momento de sair da crise e (movimentar-se) em direção à recuperação", enquanto Bingguo assegurou que os dois países estão "no mesmo barco, que foi atingido por um vento feroz e grandes ondas".

Parte da recuperação econômica depende também de que os dois países transformem suas economias e avancem rumo a um futuro energético "limpo, seguro e próspero", disse Obama.

As duas economias devem reduzir seu consumo de carvão, unir forças nas pesquisas e no desenvolvimento e colaborar na elaboração de uma resposta global na Conferência de Copenhague, que será realizada em dezembro e onde se espera impulsionar um novo protocolo sobre a mudança climática, ressaltou Obama.

No plano diplomático, o Governo dos EUA fez especial insistência na necessidade de que Washington e Pequim lutem contra a proliferação nuclear, motivo pelo qual pediu à China que siga colaborando para conseguir a desnuclearização da Coreia do Norte e evitar que o Irã obtenha armas nucleares.

O último aspecto estratégico que requer uma maior colaboração com Pequim é o da luta contra as ameaças transnacionais, como o extremismo, os traficantes, os piratas e as doenças que atravessam fronteiras, afirmou Obama.

O presidente dos EUA mostrou sua confiança no futuro da relação com a China e uma maior cooperação, mas também disse ter consciência de que os dois países nem sempre coincidirão em todos os aspectos ou em sua visão do mundo.

Por isso, tanto Obama, quanto Hillary, não duvidaram em mencionar as divergências entre os EUA e a China sobre os direitos humanos.

"A religião e a cultura de todas as pessoas devem ser respeitadas e protegidas e todas as pessoas devem ser livres para expressar seus pensamentos. Isso inclui as minorias étnicas e minorias na China, da mesma forma que inclui as dos EUA", disse Obama.

"Nem sempre estaremos de acordo. Esse será o caso em certas ocasiões sobre os direitos humanos", afirmou Hillary. EFE cai/pd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG