EUA darão US$ 110 milhões ao Paquistão em ajuda humanitária

Por Arshad Mohammed WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos anunciaram na terça-feira que darão 110 milhões de dólares ao Paquistão para ajudar os estimados 2 milhões de pessoas que fugiram dos confrontos entre o Exército paquistanês e o Taliban no Vale de Swat.

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A violência dos militantes no Paquistão, país detentor de armas nucleares, aumentou ao longo dos últimos dois anos, suscitando questões sobre a estabilidade do país e alarmando os EUA, que precisam da ajuda dos paquistaneses para derrotar a rede Al Qaeda e levar estabilidade ao Afeganistão.

Após duras críticas dos EUA ao Paquistão, de que o governo estaria abdicando de sua autoridade a militantes do Taliban no Swat, os militares paquistaneses deram início neste mês a uma ofensiva para retomar o vale, distante 100 quilômetros da capital Islamabad.

A Casa Branca afirmou que os EUA forneceriam 100 milhões de dólares em auxílio humanitário, como alimentos, barracas, rádio, geradores e outros itens, e o Departamento de Defesa norte-americano daria outros 10 milhões de dólares em assistência não especificada.

"Fornecer essa assistência não é apenas correto, mas acreditamos que seja essencial à segurança global e à segurança dos Estados Unidos e estamos prontos a fazer mais à medida que a situação exigir", disse a secretária de Estado Hillary Clinton a jornalistas na Casa Branca.

Clinton também descreveu as últimas três décadas de política norte-americana com relação ao Paquistão como "incoerente", dizendo que os EUA agiram junto com o Paquistão para armar os combatentes Mujahideen que ajudaram a expulsar a União Soviética do Afeganistão na década de 1980 apenas para depois abandonar ambos os países.

Ela afirmou que o presidente dos EUA, Barack Obama, estava determinado a estabelecer uma parceria de longo prazo com o Paquistão a fim de combater militantes da Al Qaeda que teriam fugido do Afeganistão, onde tramaram os ataques de 11 de Setembro, para o Paquistão.

"Acho que é justo dizer que nossa política para o Paquistão ao longo dos últimos 30 anos foi incoerente", disse Hillary Clinton a jornalistas. "Quer dizer, desconheço outra palavra para usar", disse.

"Saímos do Paquistão no passado com conseqüências que não foram as melhores para a nossa segurança e estamos determinados a estabelecer uma parceria com o povo do Paquistão e seu governo democraticamente eleito contra o extremismo", acrescentou.

Patrick Duplat, responsável para o Paquistão do grupo de ajuda humanitária Refugees International, saudou o auxílio dos EUA, mas afirmou que era necessário mais dinheiro.

"Cem milhões de dólares é muito positivo," disse ele. Duplat observou, no entanto, que, com 2 milhões de pessoas atualmente deslocadas no Paquistão (1,5 milhão apenas nas últimas três semanas), mais dinheiro era necessário.

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