EUA dá um grande adeus a Ted Kennedy

Teresa Bouza Washington, 28 ago (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas foram hoje a dar o último adeus ao senador Edward (Ted) Kennedy, que está sendo velado em redoma de vidro, de frente ao mar, na Biblioteca Presidencial JFK em Boston.

EFE |

A procissão de hoje se soma à de ontem, quando o corpo do senador foi transferido para Boston, da residência da família, em Hyannus Port, onde faleceu na noite da terça-feira aos 77 anos por causa de um câncer cerebral.

Segundo o escritório de Kennedy em Massachusetts, estado que representou durante quase cinco décadas, cerca de 25 mil pessoas renderam ontem tributo ao senador.

A avalanche de visitantes obrigou a biblioteca a estender em hora o fechamento para o público até quase o começo da madrugada.

As mostras de afeto ao político membro de uma poderosa e rica dinastia política mas que é lembrado, no entanto como um "homem do povo", continuam hoje.

Entre as muitas pessoas cujas vidas tocou Kennedy, está Michelle Nagel, uma vizinha de Massachusetts que foi diagnosticada com leucemia em 2007 quando vivia na Europa e não tinha dinheiro para retornar aos Estados Unidos.

O escritório do senador ajudou-a à voltar aos EUA e a receber tratamento em Boston, onde foi submetida a um transplante de medula.

"Acho que todo mundo em Massachusetts sente que os Kennedy são algo nosso. Têm algo especial que faz com que seja assim", afirmou Nagel em declarações ao diário "The Boston Globe".

O senador, que disse que "a causa" de sua vida era conseguir a cobertura médica universal nos Estados Unidos, dedicou sua carreira a lutar pelos doentes e incapacitados, os imigrantes e refugiados e as mães e crianças pobres.

Seu trabalho resultou chave em temas como saúde, educação, direitos civis e trabalhistas. Mais de 550 de seus projetos se transformassem em lei, segundo seu escritório.

Essa rica trajetória, na qual também houve escândalos, como um acidente de automóvel em 1969 no qual morreu seu acompanhante e que está rodeado de mistério, é a que procura lembrar sua família, que quer que o velório seja uma celebração e não um lamento.

Daí que o funeral privado que se levará a cabo esta noite se tenha batizado com o nome de "celebração de uma vida".

Está previsto que o vice-presidente de EUA, Joe Biden, o senador democrata John Kerry e o republicano John McCain discursem durante o culto religioso, assim como sua sobrinha Caroline Kennedy, única filha viva do líder assassinado John Fitzgerald Kennedy, JFK.

McCain, que trabalhou com Kennedy durante anos para alcançar um consenso em temas polêmicos, como a fracassada reforma migratória de 2007, declarou na noite passada que a esposa do senador, Victoria, lhe tinha pedido que discursasse no funeral.

"Disse que faria todo o necessário para estar ali e me sinto muito honrado de poder dizer umas palavras sobre o último leão do Senado", afirmou o ex-candidato presidencial.

Amanhã acontece o funeral na Basílica Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Boston, onde o senador ia diariamente para rezar quando sua filha Kara lutava contra um câncer de pulmão que conseguiu superar.

São esperados cerca de 40 senadores e dez ex-senadores no velório de Kennedy antes do funeral.

Está previsto que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pronuncie um discurso de louvor durante o ritual religioso e que os ex-governantes Jimmy Carter, Bill Clinton e George W. Bush participem do ato.

George Bush pai, indicou em comunicado que não acudirá, ao considerar que a presença de seu filho representa devidamente à família.

O corpo de Ted Kennedy será transferido em avião no próprio sábado para o Cemitério Nacional de Arlington, próximo à capital americana, onde será enterrado junto a seus dois irmãos assassinados, John e Bob Kennedy.

Sua morte deixa sem herdeiro aparente o clã dos Kennedy.

Ted Kennedy foi o mais jovem dos nove filhos de Rose e Joseph Kennedy e o último dos quatro homens.

Jean Kennedy Smith, de 81 anos, é agora a única sobrevivente da rica, católica e progressista dinastia de origem irlandesa. EFE tb/fk

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