EUA criticam empenho de Bolívia e Venezuela na luta contra as drogas

Céline Aemisegger Washington, 16 set (EFE).- O Governo dos Estados Unidos incluiu hoje a Venezuela e a Bolívia em sua lista negra de países que fracassaram na luta contra o tráfico de drogas no último ano, embora tenha dito que não vai suspender a ajuda que dá a essas nações, por considerá-la de interesse nacional.

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Por outro lado, o relatório da Administração americana elogiou o trabalho de México, Colômbia e Equador no combate ao narcotráfico, não sem frisar que ainda há desafios a serem enfrentados e que a América Central deve aumentar seu papel nesse compromisso.

Em cumprimento a uma lei federal, o presidente George W. Bush apresentou hoje ao Congresso seu parecer a respeito dos países que falharam em sua cooperação com os Estados Unidos na luta antinarcóticos.

Este ano, a lista negra do Governo americano inclui 20 países, 14 dos quais são da América Latina ou do Caribe.

Para os EUA, os países que mais produzem ou que são mais utilizados como rota do tráfico são: Afeganistão, Bahamas, Bolívia, Brasil, Mianmar, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, Haiti, Índia, Jamaica, Laos, México, Nigéria, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru e Venezuela.

Dentro deste grupo, três nações fracassaram de modo evidente nos últimos 12 meses de atividades contra o tráfico de drogas: Bolívia, Venezuela e Mianmar.

Na prática, ter o nome incluído na lista - o que aconteceu pelo quarto ano consecutivo com a Venezuela e pela primeira vez com a Bolívia - pode significar um corte nas ajudas. Porém, Bush pode fazer vista grossa quando conclui que, por "interesse nacional", é conveniente continuar dando tal assistência.

Foi o que aconteceu, já que o presidente americano decidiu não suspender os fundos destinados a La Paz e Caracas, porque "o apoio a programas de ajuda às instituições democráticas da Venezuela e o respaldo contínuo a programas bilaterais na Bolívia são vitais para o interesse nacional dos EUA", segundo a Casa Branca.

No caso da Venezuela, os fundos apóiam programas da sociedade civil organizada e de desenvolvimento de pequenas comunidades, enquanto, na Bolívia, financiam a capacitação da Polícia e projetos de desenvolvimento do setor agrícola e de pequenas e médias empresas.

No ano passado, a ajuda à Bolívia passou dos US$ 100 milhões, disse o secretário de Estado adjunto para o narcotráfico, David Johnson, em entrevista coletiva.

Sobre a Venezuela, os EUA alegam que o Governo manteve uma atitude passiva contra o crescente problema do narcotráfico dentro e ao longo de suas fronteiras, e, ainda que Caracas diga que as apreensões aumentaram, "a quantidade de drogas destinada à Europa e aos EUA continua crescendo".

Funcionários corruptos e o crime organizado na Venezuela agravaram esta situação. Além disso, um Judiciário frágil "falhou na hora de processar estes criminosos", destacaram os EUA.

A isso se soma o fato de o Governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, ter se recusado a renovar o acordo de cooperação antinarcóticos e a assinar convênios para a liberação de fundos para programas bilaterais relacionados com o combate às drogas.

Quanto à Bolívia, o Governo americano destacou que o país continua sendo um grande produtor de drogas e que suas políticas "causaram uma significativa deterioração na cooperação com os EUA".

Como exemplos dessa piora, os EUA citaram a produção ilícita de folha de coca, apoiada pelo presidente boliviano, Evo Morales, e a expulsão do escritório que o Departamento Americano Antidrogas (DEA) mantinha na região do Chapare.

O Governo dos EUA tem na Bolívia vários programas contra o narcotráfico, mas estes "só podem ser efetivos com o pleno apoio do Executivo boliviano", destacou Johnson.

"Agora, está nas mãos do Governo boliviano dar passos concretos para cumprir suas obrigações internacionais na luta contra a produção e o tráfico de drogas", acrescentou.

Ao se referir à fronteira entre Colômbia e Equador, os EUA destacaram que o cultivo e processamento de coca e o tráfico de cocaína "continuam sendo um problema".

Johnson pediu aos Governos da Colômbia e do Equador que colaborem de maneira construtiva para eliminar os cultivos de coca e o tráfico de cocaína pela fronteira comum.

Além disso, os EUA requisitaram aos países centro-americanos uma resposta conjunta ao narcotráfico e que cooperem com seus vizinhos trocando informações. EFE ca/sc

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