EUA criticam China e Rússia em relatório sobre direitos humanos

Por John Whitesides e Paul Eckert WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos criticaram a China nesta quarta-feira em seu relatório anual sobre os direitos humanos, uma semana após a secretária de Estado, Hillary Clinton, ter minimizado preocupações sobre direitos humanos durante visita a Pequim. O relatório do Departamento de Estado citou o Brasil e apontou problemas da polícia, incluindo casos de abuso e tortura.

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O documento também analisou a Rússia, dizendo que as liberdades civis no país estão "sob cerco" e que a guerra com a Geórgia, em agosto do ano passado, causou grandes baixas civis.

Em uma análise dos direitos humanos em mais de 190 países em 2008, o Departamento de Estado criticou muitos de seus alvos usuais, incluindo Paquistão, Afeganistão, Coreia do Norte, Cuba, Irã, Iraque, Sudão, Somália, Mianmar e Zimbábue.

"Os abusos aos direitos humanos mais sérios tendem a ocorrer em países onde governantes têm poderes incontroláveis ou onde há falha ou colapso do governo, muitas vezes causados ou agravados por conflitos internos ou externos", disse o relatório anual, que regularmente causa revolta de governos alvos de críticas.

O relatório abrange o último ano do governo do ex-presidente George W. Bush, criticado por seu histórico de direitos humanos, incluindo métodos interrogatórios usados em detentos e a prisão de Guantánamo.

O novo presidente dos EUA, Barack Obama, determinou o fechamento de Guantánamo em até um ano e adotou uma linha mais dura contra possíveis torturas de suspeitos de terrorismo. Hillary apoiou a nova política no início do relatório.

"O estímulo aos direitos humanos é uma peça essencial da nossa política externa", ela disse. "Não somente tentaremos viver nossos ideais em solo norte-americano, mas seguiremos em busca de um respeito maior aos direitos humanos enquanto nos envolvemos com outros países e povos pelo mundo".

O histórico de respeito aos direitos humanos na China "segue ruim e piorou em algumas áreas", de acordo com o relatório.

"O governo chinês aumentou a detenção e perseguição a dissidentes, peticionários, defensores de direitos humanos e advogados de defesa", disse o documento. "Outras violações sérias dos direitos humanos incluem execuções extrajudiciais, tortura e confissões coagidas de detentos, e o uso de trabalho forçado."

Há anos os Estados Unidos têm acusado a China de violações dos direitos humanos e pressiona Pequim a conceder maior autonomia ao Tibete, mas em sua visita na semana passada, Hillary disse que os esforços conjuntos em aliviar a crise econômica mundial, combater as mudanças climáticas e frear as ambições nucleares da Coreia do Norte foram as prioridades.

Grupos de direitos humanos criticaram a postura de Hillary, enfraquecendo os argumentos dos EUA sobre direitos humanos.

O relatório citou o Brasil, destacando força excessiva e abuso da polícia, falta de treinamento e aparelhamento e a ligação de policiais com esquadrões da morte e milícias.

"Em vários casos, policiais usaram de força letal indiscriminada durante detenções. Em alguns casos, civis morreram após tortura de policiais", disse o documento. "Em outros casos, os policiais se comportaram como criminosos."

O documento apontou chacinas em cidades brasileiras, além de criticar as condições dos presídios, a tortura de detentos e o sistema judiciário do país, classificando-o de "ineficiente, e, muitas vezes, alvo de intimidação e de influências políticas e econômicas".

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