Bolívia, Mianmar e Venezuela fracassaram ostensivamente mais um ano em sua luta contra as drogas, anunciaram nesta quarta-feira os Estados Unidos em sua certificação anual antinarcóticos, embora o presidente Barack Obama tenha descartado sancionar os dois países latino-americanos.

O presidente boliviano, Evo Morales, em reação imediata ao anúncio, declarou que que os Estados Unidos "não têm autoridade moral" para questionar a luta antidrogas em seu país.

Esses três países já tinham sido colocados na lista negra no ano passado, na última avaliação divulgada pelo governo de George W. Bush, o que provocou uma dura resposta de La Paz, com a expulsão dos agentes da Administração Antidrogas Americana (DEA).

A certificação anual antinarcóticos pode suscitar sanções, lembrou o comunicado do porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly.

No entanto, este ano, no caso de Bolívia e Venezuela, "o presidente emitiu uma dispensa por interesse nacional, para que os Estados Unidos possam continuar apoiando programas específicos para beneficiar os povos boliviano e venezuelano", acrescentou o texto.

"A dispensa permitirá a manutenção do apoio ao desenvolvimento agrícola, aos programas de intercâmbio, ao desenvolvimento de pequenas empresas e ao treinamento policial", no caso da Bolívia, explicou o texto.

Na Venezuela, por outro lado, os Estados Unidos seguirão apoiando "programas da sociedade civil e de desenvolvimento de pequenas comunidades".

A Venezuela já tinha sido incluída na lista negra em 2007. A Bolívia entrou nesse seleto clube de países que podem ser sancionados no ano passado.

A tensão entre La Paz e Washington aumentou nos últimos meses da Presidência de Bush, com a expulsão de embaixadores e agentes da DEA e com a retirada da Bolívia do programa de preferências tarifárias andinas (ATDPEA) do governo norte-americano.

Morales reagiu com veemência e considerou que os Estados Unidos "não têm autoridade moral" para questionar a luta antidrogas em seu país.

"Os Estados Unidos não nos permitiram comprar equipamentos com radares para a luta contra o narcotráfico, os Estados Unidos já não fornecem dinheiro como antes, portanto, não têm autoridade moral para questionar o combate ao narcotráfico", afirmou em uma entrevista coletiva à imprensa no Palácio Quemado.

Todo ano, os Estados Unidos emitem uma certificação de grandes países produtores ou de trânsito de drogas, que serve depois para determinar o destino de sua ajuda ao desenvolvimento.

Este ano vinte países são mencionados. Desses vinte, "Bolívia, Mianmar e Venezuela fracassaram ostensivamente nos últimos doze meses no momento de cumprir acordos antinarcóticos internacionais e de tomar medidas de acordo com as leis norte-americanas", explicou o texto.

A lista completa dos vinte países é a seguinte: Afeganistão, Bahamas, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, Haiti, Índia, Jamaica, Laos, México, Mianmar, Nigéria, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Venezuela.

Como em cada ano, o Departamento de Estado ressalta que a inclusão de um país nessa lista "não reflete necessariamente seus esforços na luta contra as drogas nem sua cooperação com os Estados Unidos".

jz/dm

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