EUA consideram postura chinesa mais agressiva em caso de navios

WASHINGTON - A disputa entre China e Estados Unidos após acusações de que navios chineses teriam perseguido uma embarcação naval norte-americana é a pior entre os dois países, desde a detenção em 2001 de um avião de espionagem dos EUA com sua tripulação, disse a principal autoridade do setor de inteligência do país nesta terça-feira.

Redação com Reuters |


O diretor de Inteligência Nacional dos EUA, Dennis Blair, afirmou ao Congresso que a China parece estar adotando uma postura "mais militarista e agressiva". "Isso é uma tendência que estamos observando, disse ele. "Ainda não está claro se a China está usando seu poderio militar crescente "para o bem ou para pressionar."

Os comentários foram feitos um dia depois de os Estados Unidos acusarem a China de incomodar um navio norte-americano de vistoria naval, o USNS Impeccable, em águas internacionais ao largo da ilha de Hainan, uma base estratégica crucial a partir da qual o governo chinês projeta poder militar no Mar do Sul da China.

De acordo com o Pentágono, cinco navios chineses, incluindo uma embarcação militar, haviam perseguido um navio da Marinha norte-americana no Mar do Sul da China e chegaram a ficar a apenas 7,6 metros do navio de vigilância oceânica.

Segundo comunicado do Departamento de Defesa, as embarcações chinesas "seguiram de perto e manobraram agressivamente em proximidade perigosa" ao USS Impeccable, que estava conduzindo operações de rotina em águas internacionais, 120 quilômetros ao sul da Ilha de Hainan.

Os chineses rejeitaram a acusação e declararam que os EUA violaram as leis chinesas relativas a suas disputadas zonas econômicas exclusivas.

Dennis Blair descreveu o incidente como "o mais sério" desde que um avião militar chinês colidiu com um avião de vigilância eletrônica dos EUA, também ao largo de Hainan, em abril de 2001, nos primeiros meses da presidência de George W. Bush.

Um piloto chinês morreu e o avião norte-americano fez um pouso de emergência na ilha. A tripulação foi libertada dez dias depois, e a aeronave também foi devolvida mais tarde.

O diretor da Agência de Inteligência de Defesa, general Michael Maples, relatou ao comitê do Senado que a China vem fortalecendo sua capacidade de conduzir operações militares em áreas periféricas "em seus próprios termos". Além disso, o país está adquirindo sofisticados equipamentos de defesa aérea russos que vão ampliar ainda mais suas capacidades.

"Ela está construindo e usando sistemas de armas sofisticados e testando novas doutrinas que acredita que lhe permitirão prevalecer em conflitos regionais e também combater as vantagens militares tradicionais dos EUA", afirmou Maples.

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