EUA confirmam saída de última brigada de combate do Iraque

Continuam no país árabe 56 mil soldados, que devem ser reduzidos a 50 mil até fim das operações de combate, em 31 de agosto

iG São Paulo |

A última brigada de combate dos Estados Unidos deixou o Iraque com destino ao Kuwait, confirmou nesta quinta-feira um porta-voz das Forças Armadas dos Estados Unidos, em mais um passo de Washington para cumprir seu objetivo de reduzir o número de soldados no Iraque para 50 mil até dia 31 de agosto , quando a missão de combate de sete anos e meio iniciada pelo presidente George W. Bush (2001-2009) chegar oficialmente ao fim. O conflito deixou centenas de milhares de mortos.

Ainda há no Iraque 56 mil soldados americanos das forças de combate. O excedente de 6 mil deve ser retirado até o fim deste mês, quando as operações de combate chegarão ao fim. Os 50 mil soldados americanos que permanecerão até o fim de 2011 treinarão forças iraquianas, protegerão os interesses americanos e cumprirão tarefas de "estabilização".

A última brigada americana de combate entregou formalmente as responsabilidades às forças iraquianas em 7 de agosto, mas os soldados dos EUA já vêm sendo transportados de volta a seu país há um ano.

"A última brigada cruzou (a fronteira com o Kuwait) por volta das 6h00 (0h00 de Brasília)", declarou à AFP o tenente-coronel Eric Bloom. A informação da saída da última brigada de combate dos Estados Unidos do Iraque já havia sido anunciada pela imprensa americana . Imagens de TV mostraram um jornalista da rede MSNBC que viajava com a 4ª Brigada Stryker, da 2ª Divisão de Infantaria, cruzando a fronteira entre Iraque e Kuwait, como parte do movimento de tropas.

Segundo o jornal Los Angeles Times, a saída dos 360 veículos militares e dos 1,8 mil soldados da 4ª Brigada só será concluída no prazo de três dias, mas a maior parte da imprensa americana destacou que ela terminaria em questão de horas.

Na segunda-feira, o número de soldados dos Estados Unidos no Iraque chegava a 59 mil, segundo dados oficiais. Mas o número deve cair para 50 mil até 31 de agosto, quando o governo dos Estados Unidos  mudará a missão para o treinamento e assessoria das tropas iraquianas.

O general Stephen Lanza, porta-voz militar, disse à rede MSNBC que a partir do final de agosto a missão americana mudará seu nome de "Operação Liberdade Iraquiana" para "Operação Novo Amanhecer". Lanza destacou que o objetivo passará "de operações de combate para operações de estabilização".

Até 1º de setembro, haverá poucas mudanças na missão militar dos EUA no Iraque. A maioria das unidades militares americanas já começou a mudar o foco para o treinamento e assistência de soldados e policiais iraquianos há mais de um ano, depois que os americanos se retiraram dos centros urbanos iraquianos em 30 de junho de 2009.

Grande parte do equipamento bélico dos EUA e muitos soldados saindo do Iraque estão sendo redistribuídos para o Afeganistão, onde as forças da Otan combatem a insurgência da milícia islâmica do Taleban, que está aumentando.

Legado de Bush

O fim da missão de combate americana no Iraque será um marco na guerra iniciada em 2003 com a invasão que visava a derrubar o ditador sunita Saddam Hussein. Seu longo governo foi marcado por uma guerra de oito anos contra o Irã, a invasão do Kuwait , a decadência econômica e isolamento diplomático.

Mais de 4,4 mil soldados americanos foram mortos desde a invasão e 106.071 civis iraquianos também morreram na violenta guerra sectária entre os xiiitas e a minoria sunita, que governava o país na época de Saddam Hussein. A violência vem caindo rapidamente desde o auge do massacre sectário em 2006 e 2007, quando o número de soldados americanos chegou a aproximadamente 170 mil.

Mas militantes sunitas continuam a realizar ataques devastadores e o Iraque ainda é um lugar frágil. Seus líderes ainda não resolveram diversas questões políticas polêmicas que poderiam facilmente incitar novos combates, como as tensões entre a maioria árabe e a minoria curda, e a reconciliação entre sunitas e xiitas.

Também não foram capazes de formar um novo governo cinco meses depois de uma eleição nacional que não obteve um vencedor claro. A tensão vem sendo alimentada por uma série de atentados suicidas e outros ataques de insurgentes tentando explorar o vácuo político antes do fim da missão americana.

De qualquer forma, a complicada experiência do Iraque com uma democracia imposta pelos EUA tem ainda o potencial de abalar o equilíbrio dos poderes políticos na região, acostumada a governos autocráticos.

Obama prometeu aos eleitores americanos que encerraria as missões de combate até o dia 31 de agosto , antes da retirada integral dos EUA, marcada para ocorrer até o final de 2011, como combinado por um pacto bilateral de segurança assinado por seu predecessor.

A guerra no Iraque vem durando mais que a Guerra de Secessão americana, a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial.

*Com AFP e Reuters

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