EUA confirmam reunião do G20 sobre crise financeira

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira a realização no sábado de uma reunião do G20, grupo atualmente presidido pelo Brasil, sobre a crise econômica mundial. O G20 reúne representantes das nações mais ricas do mundo e das principais economias emergentes: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Turquia e União Européia.

BBC Brasil |

''Em consulta com o Brasil, o presidente do G20, estou pedindo uma reunião especial do G20 que incluirá altos oficiais de Finanças, presidentes de bancos centrais e reguladores das principais economias emergentes para coordenar maneiras de amenizarmos os efeitos da turbulência global e da desaceleração econômica em todos os nossos países'', afirmou o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, em uma coletiva.

A reunião improvisada será realizada em Washington, na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), que realiza, nesta semana, o seu evento semestral na capital americana.

Telefonemas
O encontro acabou sendo fechado após conversas telefônicas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder americano, George W. Bush, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, nesta quarta-feira.

Bush também manteve contatos por telefone a respeito da crise com o premiê britânico, Gordon Brown, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

A possibilidade de realizar uma reunião de emergência vinha sendo levantada nos últimos dias por diferentes líderes internacionais e ganhou fôlego após chefes de governo diversos terem feito apelos para que se chegasse a uma solução coordenada para conter a crise.

Nesta sexta-feira se dará também em Washington um encontro do G7 - o grupo constituído pelas maiores economias globais - para discutir medidas que podem ser tomadas para acalmar os mercados.

Ação conjunta
Henry Paulson defendeu a necessidade de se agir coletivamente para amainar os efeitos da turbulência financeira que se originou nos Estados Unidos.

"Os governos têm agido tanto individualmente como coletivamente e precisam continuar a fazê-lo, para gerar uma liquidez muito necessária, fortalecer as instituições financeiras por meio da geração de capital e proteger as poupanças de nossos cidadãos'', afirmou.

Paulson acrescentou ainda que as diferentes nações devem ter a cautela de ''assegurar que nossas ações são coordenadas de perto e comunicadas, para que a ação de um país não se dê às custas de outro ou às custas da estabilidade do sistema com um todo''.

Nas últimas semanas, Bancos Centrais dos diferentes países vêm mantendo consultas a fim de adotarem soluções conjuntas capazes de atenuar os efeitos do atual caos econômico.

Nesta quarta-feira, os bancos centrais dos Estados Unidos (Fed), Inglaterra, Suécia, Suíça e Canadá deram uma amostra de como são capazes de agir em conjunto, ao anunciarem um corte emergencial das taxas de juros.

FMI
Também nesta quarta-feira, o governo da Grã-Bretanha anunciou detalhes de um pacote no valor de até 500 bilhões de libras esterlinas (o equivalente a cerca de US$ 880 bilhões) para resgatar o sistema bancário do país.

Em outro desdobramento relacionado à crise financeira global, o FMI divulgou um novo relatório anual, o Panorama Econômico Mundial, em que afirma que haverá um desaquecimento acelerado da economia global neste ano.

Depois de mais um dia de instabilidade, as principais bolsas de valores do mundo encerraram a quarta-feira no vermelho, refletindo o persistente pessimismo em relação à economia.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou o dia em -2%. Na Europa, o índice FTSE da bolsa de Londres ficou em -5,18% e, em Tóquio, o Nikkei teve mais uma queda acentuada, de -9,38% (a maior queda desde 1987).

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