EUA confirmam primeira morte por gripe suína

María Peña. Washington, 29 abr (EFE).- O Governo dos Estados Unidos confirmou hoje a primeira morte por gripe suína no país, de um menino mexicano de quase dois anos, além do aumento de 64 para 91 dos casos de doentes.

EFE |

O vírus da gripe suína já está presente em dez dos 50 estados americanos.

O presidente Barack Obama, que diariamente recebe relatórios sobre a evolução do surto lamentou que, por consequência do vírus, o menino mexicano de 23 meses tenha morrido na noite de segunda-feira em Houston, no Texas.

"Obviamente, é uma situação séria que estamos vigiando de perto e de forma contínua", disse Obama sobre o avanço do vírus H1N1, ao completar hoje 100 dias no poder.

Obama classificou de "grave" a situação que vive o país, e disse que as escolas deveriam considerar a suspensão de suas atividades se piora o avanço da doença.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu hoje que o surto de gripe suína se aproxima do nível de pandemia (epidemia amplamente disseminada), à medida que a doença avança na América do Norte, na Europa e em outros países.

Durante uma conferência telefônica, Richard Besser, diretor interino do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês), confirmou, da sede da entidade em Atlanta, na Geórgia, que o número de casos confirmados aumentou de 64 para 91 em dez estados.

Segundo o CDC, 51 casos foram registrados em Nova York, 16 no Texas e 14 na Califórnia, enquanto Kansas, Massachusetts e Michigan tiveram dois casos, cada um.

Também houve um caso em Arizona, Indiana, Nevada e Ohio, respectivamente.

A secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, prestou contas a outro comitê do Senado sobre essas medidas e reiterou que, por enquanto, não há motivo para fechar a fronteira com o México.

O epicentro do surto de gripe suína aparentemente se encontra no México, embora as autoridades enfatizem que há muitas perguntas sem respostas sobre um vírus "imprevisível" como o H1N1.

Apesar das pressões políticas de alguns políticos republicanos e de grupos conservadores, a secretária disse ao Comitê de Segurança Nacional do Senado que os Estados Unidos só fechariam a fronteira sul se o CDC recomendasse, após determinar que existe um "impacto significativo sobre a propagação da doença por ali".

Um fechamento da fronteira comum representaria a interrupção de um comércio bilateral de aproximadamente US$ 380 bilhões anuais, dos quais a maioria se dá por transporte terrestre.

O assunto das fronteiras dominou boa parte da audiência de duas horas e duras perguntas do presidente do Comitê, Joe Lieberman, e dos republicanos Susan Collins e John McCain.

Janet Napolitano foi assessorada pela subdiretora interina para assuntos científicos do CDC, Anne Schuchat.

"A estratégia mais eficaz atualmente é nos concentrarmos nas comunidades afetadas" e não no fechamento da fronteira, que seria "uma distração", disse a subdiretora interina para assuntos científicos do CDC, Anne Schuchat, que assessorou Janet Napolitano.

Ela explicou que, ao contrário da gripe comum, que mata cerca de 36 mil pessoas nos EUA a cada ano, o vírus H1N1 é algo "novo" do qual se sabe muito pouco.

"A população ainda não desenvolveu imunidade ao vírus", ressaltou a subdiretora do CDC.

Tanto ela quanto Janet insistiram também em que não se detectou o vírus nos porcos e que, portanto, não há perigo de contágio pelo consumo de sua carne ou de produtos suínos.

No entanto, isso não convenceu os países que já proibiram as importações de carne de porco dos EUA.

Janet Napolitano disse que a decisão de fechar as escolas e demais locais públicos cabe às autoridades locais e estaduais, mas afirmou que o Governo está respondendo de forma enérgica à epidemia.

De fato, o CDC aconselhou o fechamento de escolas nas cidades e estados onde se registraram casos de gripe suína, o que algumas escolas nova-iorquinas já fizeram.

A secretária de Segurança Nacional acrescentou que o Pentágono "continua alistando planos" para proteger as Forças Armadas "caso o surto se amplie".

O Pentágono ordenou o isolamento sob vigilância médica de um destacamento de 38 marines, após ser levantada a possibilidade que um deles, que adoeceu, sofra de gripe suína. EFE mp/jp

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