EUA condenam motorista de Bin Laden em Guantánamo

GUANTÁNAMO - Um júri de autoridades militares condenou nesta quarta-feira o motorista de Osama bin Laden por dar apoio material ao terrorismo, mas o absolveu da acusação de dar suporte material à Al-Qaeda.

Redação com agências internacionais |

Segundo a acusação, o réu Salim Hamdan, do Iêmen, seria um conspirador fundamental que dirigia para e protegia o líder da Al-Qaeda no Afeganistão, tendo conhecimento do fato de os objetivos dele incluírem assassinar norte-americanos.

AP
Foto de arquivo mostra asusado no Afeganistão
Foto de arquivo mostra
acusado no Afeganistão
"Ele conhecia todas as principais pessoas que cercam e protegem a Al-Qaeda", afirmou o promotor John Murphy a um júri composto por seis oficiais das Forças Armadas dos EUA. "Ele sabia das ações terroristas antes de elas acontecerem", disse.

Segundo o promotor, Hamdan trabalhou como guarda-costas de Bin Laden e foi encarregado de fugir com o militante radical caso o comboio deles sofresse um ataque, formando assim a última linha de defesa do homem "situado no topo da pirâmide do terror".

Durante quinze dias de julgamento, os advogados de defesa, incluindo um militar, tentaram mostrar que seu cliente era apenas um funcionário trabalhando para ganhar a vida e não um militante da Al-Qaeda, como descrveu a acusação.

O iemenita, preso há seis anos na base naval dos EUA na baía de Guantánamo, em Cuba, diz que dirigiu para Bin Laden porque precisava do salário de 200 dólares que recebia. No entanto, nega ter ingressado na Al-Qaeda, ter jurado lealdade ao militante ou ter participado de ataques.

Os advogados de defesa descrevem Hamdan como um civil comparável aos prestadores de serviço que trabalham para as forças norte-americanas.


Reprodução de artista mostra como foi o julgamento / Reuters

Julgamento de crimes de guerra

Este é o primeiro julgamento de crimes de guerra nos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial e o caso do motorista iemenita Salim Hamdan, que pode ser sentenciado à prisão perpétua, é o primeiro grande teste do polêmico tribunal de Guantánamo.

O tribunal foi autorizado pela administração Bush a processar detidos estrangeiros por acusações de terrorismo, fora das cortes civis e militares comuns.

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