EUA condenam decisão do Paquistão de libertar pai da bomba atômica

Os Estados Unidos condenaram a decisão da justiça do Paquistão de libertar o pai da bomba atômica paquistanesa, Abdul Qadeer Khan, culpado de atividades de proliferação nuclear, informou nesta sexta-feira um porta-voz do Departamento de Estado.

AFP |

Abdul Qaader Khan ainda representa "um grave risco de proliferação", afirmou à imprensa o porta-voz Gordon Duguid.

O Tribunal Superior de Islamabad suspendeu nesta sexta-feira a pena de prisão domiciliar do cientista Abdul Qadir Khan, pai da bomba atômica paquistanesa e suspeito de venda de segredos nucleares, embora ele tenha que informar às autoridades seus movimentos dentro do país.

O juiz Sardar Muhammad Aslam leu hoje a sentença na qual concede a Khan liberdade de movimentos no interior do Paquistão e encerra o confinamento domiciliar a que ele estava submetido desde 2003, informou a emissora privada "Geo TV".

A decisão atribui a soltura à falta de provas apresentadas contra Khan pelas acusações de contribuir para a proliferação nuclear.

"Estou satisfeito com a decisão da Justiça. É uma questão que não tem nada a ver com os Estados Unidos", declarou à imprensa Khan na porta de sua casa.

O cientista pode agora conceder entrevistas à imprensa e expressar livremente suas opiniões, algo a que até agora sofria restrições, como ressaltou o juiz.

Khan descartou as possibilidades de entrar para a política ou de empreender ações legais pelo tempo que esteve sob prisão domiciliar. Ele disse que se dedicará a administrar organizações de caridade e a assessorar instituições educativas.

Polêmica no Paquistão

Em julho do ano passado, Khan abriu a polêmica no Paquistão com declarações, que depois foram negadas, sobre a transferência de tecnologia nuclear à Coreia do Norte com o suposto conhecimento do Exército, então comandado pelo ex-presidente Pervez Musharraf.

O cientista confessou, em fevereiro de 2004, pela televisão que revelara segredos nucleares ao Irã, à Líbia e à Coreia do Norte sem autorização de seu governo.

No início deste ano, o governo dos EUA emitiu sanções econômicas contra 13 pessoas e três empresas privadas supostamente vinculadas a uma rede de proliferação nuclear relacionada a Khan.

De acordo com o Departamento de Estado americano, Khan chefiou uma extensa rede internacional que promoveu a proliferação de tecnologia nuclear e constituiu um ponto de referência de informação e aquisições para os países que tentavam desenvolver armas nucleares.

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