EUA começam a mediar entre Paquistão e Índia sobre atentados

Julia R. Arévalo.

EFE |

Nova Délhi, 3 dez (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, ofereceu hoje ajuda à Índia nas investigações sobre o atentado de Mumbai (ex-Bombaim) e pediu que o Paquistão faça o mesmo com "urgência" e "transparência".

Rice, que visita Nova Délhi em uma primeira tentativa de mediação entre os dois Estados rivais nesta nova crise, recebeu do chanceler indiano, Pranab Mukherjee, a mesma mensagem oficial que vem sendo feita desde que ocorreu o massacre: que o Paquistão apóia os terroristas.

"Não há dúvida de que o ataque terrorista em Mumbai foi perpetrado por indivíduos que vieram do Paquistão nem que os que controlam eles estão no Paquistão", afirmou Mukherjee em coletiva de imprensa conjunta com Rice.

Mukherjee disse ter informado a Rice das reivindicações que a Índia fez ao Paquistão e das "expectativas de cooperação" por parte do país vizinho, de modo a assegurar que os responsáveis pelos incidentes em Mumbai sejam detidos e levados perante a Justiça.

O ministro confiou que "todos os países amigos e a comunidade internacional vão assegurar que isso aconteça".

A Índia acusou o grupo Lashkar-e-Toiba (LeT), que luta pela anexação da Caxemira ao Paquistão e tem sua base neste país, de ser responsável pelo ataque que na semana passada custou a vida de quase 200 pessoas em Mumbai.

Na segunda-feira passada, o Governo indiano reivindicou formalmente junto ao Executivo paquistanês a entrega de dezenas de supostos terroristas responsáveis por grandes ataques na Índia, entre eles o chefe do LeT, Mohammed Said.

O presidente do Paquistão, Asif Alí Zardari, questionou que os autores do massacre de Mumbai sejam paquistaneses e descartou extradições à Índia.

Para Mukherjee, a Índia está à espera da resposta do Paquistão a suas reivindicações para decidir o futuro curso de uma ação.

Segundo ele, a Índia "fará o que considerar necessário para proteger sua integridade territorial e a segurança de seus cidadãos".

O chanceler indiano frisou que seu Governo está "determinado a atuar decisivamente" para proteger a vida dos cidadãos "com todos os meios a sua disposição".

Em 2002, após um ataque ao Parlamento de Délhi atribuído ao LeT, Índia e Paquistão protagonizaram uma longa crise que quase desencadeou em uma nova guerra.

Rice evitou responder a perguntas sobre a ajuda que os EUA poderiam dar à Índia caso fosse decidido atacar as bases e campos de treinamento dos terroristas do LeT no Paquistão, uma das opções especuladas pela imprensa.

A diplomata pediu que se continue com a investigação e que seja visto aonde se conduzem os fatos e julgou "prematuro especular" sobre o ocorrido em Mumbai.

A chefe da diplomacia dos EUA ofereceu ajuda da inteligência americana para a investigação e prevenção - tema sobre o qual fez referência constantemente - de outros atentados.

Rice destacou a "sofisticação" do ataque, embora tenha ressaltado que não estava sugerindo que "o autor fosse a Al Qaeda".

Em coletiva de imprensa anterior a suas reuniões com as autoridades indianas, a secretária de Estado tinha observado que "tanto no caso de uma intervenção direta da Al Qaeda como ao contrário, este é claramente o tipo de terrorismo no qual a Al Qaeda participa".

Porém, Rice, em sua coletiva ao lado de Mukherjee, negou que o Paquistão pretenda se esquivar de sua "responsabilidade" no atentado contra a Índia.

"O fato é que atores não estatais às vezes operam dentro do território de um Estado e, quando esse é o caso, tem que haver uma ação muito direta e contundente contra eles", destacou Rice, que amanhã se reúne com as autoridades do Paquistão.

Com eleições em poucos meses e a economia em desaceleração após anos de crescimento, o Governo indiano tenta resistir a sensação de vulnerabilidade perante o terrorismo internacional e à indignação que se apoderou dos cidadãos desde os atentados de Mumbai, daí as referências ao eterno rival Paquistão.

Mukherjee chegou a estabelecer um "traço" comum na seqüência de atentados que este ano atingira seu país. Antes de Mumbai, outras cidades indianas emblemáticas como Nova Délhi, Bangalore e Jaipur, sofreram ataques, embora quando aconteceram as autoridades apontaram para um grupo terrorista autóctone, e não ao Paquistão. EFE ja/rr

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