EUA: cláusula protecionista no plano de retomada gera polêmica

O projeto de plano de retomada de 819 bilhões de dólares aprovado quarta-feira pela Câmara dos Representantes americana contém uma cláusula em favor da compra de produtos americanos que causou indignação entre os parceiros comerciais dos Estados Unidos.

AFP |

O artigo em questão, perdido em um projeto de lei de cerca de 650 páginas, proibiria em grande parte a compra de ferro e aço estrangeiros para os projetos de infraestrutura financiados pelo plano de retomada.

O presidente americano Barack Obama pediu aos parlamentares que adotassem rapidamente um projeto de lei destinado a criar e proteger entre 3 e 4 milhões de empregos. O Senado está trabalhando na sua própria versão do texto e deve chegar a um consenso.

Durante sua campanha, Obama defendeu uma renegociação dos acordos de livre comércio assinados pelos Estados Unidos, lançando temores no exterior de uma volta do protecionismo da primeira economia mundial.

Vários economistas pediram ao novo governo que não erguesse barreiras protecionistas para proteger o emprego americano.

A comissária européia do Comércio, Catherine Ashton, já manifestou preocupação. "Estamos examinando a situação. Ainda é cedo para se pronunciar sobre este texto, antes de ter sua versão final", indicou seu porta-voz, Peter Power, em Bruxelas.

"Entretanto, há uma coisa da qual estamos absolutamente certos, é que se uma lei for votada e ela proibir a venda ou a compra de produtos europeus no território americano, não poderemos ignorá-la e ficar de braços cruzados", disse.

O projeto de lei adotado pela Câmara proíbe que os fundos previstos para o plano de retomada sejam aplicados em projetos de infraestrutura "a menos que todo o ferro e o aço utilizados (nestes projetos) sejam produzidos nos Estados Unidos".

O texto prevê exceções no caso de esta disposição "ser contra o interesse público", ou se não houver aço e ferro de qualidade satisfatória suficientes, ou ainda se os recursos aos únicos produtos americanos aumentarem o custo de um projeto em mais de 25%.

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