EUA circulam novo esboço de proposta para sanções contra Irã

Os EUA estão circulando o esboço de uma resolução para novas sanções mais duras contra o Irã e aguardam a China e a Rússia indicarem que desejam começar a negociar as medidas. As sanções têm como alvo os setores bancário, de navegação e de seguros da economia iraniana, informaram diplomatas do Conselho de Segurança da ONU, segundo o jornal americano New York Times.

iG São Paulo |

As novas sanções propostas ampliarão o alcance e a intensidade de três rodadas prévias de punições contra o país, adotadas desde 2006 em um esforço para convencer o governo iraniano a suspender o enriquecimento de urânio e negociar o futuro de seu programa atômico.

Os diplomatas disseram que as novas medidas pedem a completa proibição de certas transações com o Irã, em contraste com as que já estão em vigor, que pedem que os membros da ONU exercitem a "vigilância" ou a "moderação" na interação com o Irã em algumas áreas como comércio de armas, atividades financeiras e de navegação. O foco são as Guardas Revolucionárias, o braço armado do regime, que gerencia uma vasta gama de negócios iranianos.

A nova proposta busca expandir outros aspectos das punições já em vigor, acrescentando pelo menos o Banco Central à lista que previamente já incluía os bancos Melli e Sadetat.

Além disso, as medidas expandem a lista de indivíduos que serão proibidos de viajar e incluem um banimento à exportação de armas ao Irã. Também indicam quais são as companhias e indivíduos envolvidos nos programas nucleares e de desenvolvimento de mísseis ou que ajudam a financiá-los.

Ainda não houve reação da China. Apesar de o país publicamente se opor às sanções, os EUA e seus aliados no Conselho de Segurança da ONU esperam que James B. Steinberg, o vice-secretário de Estado americano, consiga persuadir o país a aceitá-las durante visita que iniciou nesta quarta-feira a Pequim. Ele mostrará o esboço da resolução às autoridades chinesas.

Negociadas entre os EUA, Grã-Bretanha, França e Alemanha, as punições provavelmente serão atenuadas à medida que ocorrerem as negociações. A reação inicial da Rússia foi negativa, afirmando que as medidas são muito duras, disseram diplomatas.

Hillary no Brasil


Hillary e Amorim se encontraram nesta manhã em Brasília / AP

A informação sobre o novo plano de sanções surgiu no mesmo dia em que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, visitou o Brasil . O tema Irã esteve no topo da agenda.

Em coletiva ao lado do chanceler Celso Amorim, Hillary afirmou que só depois que houver a aprovação de novas sanções pelo Conselho de Segurança da ONU, no qual o Brasil ocupa um assento temporário desde o início do ano, é que o Irã se disporá a negociar de boa-fé.

A afirmação foi feita após ela ser questionada se os EUA se sentem frustrados com a defesa que o Brasil faz ao diálogo com o Irã para resolver o impasse.

O presidente brasileiro, que recebeu em novembro uma visita do líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, deve viajar ao Irã em 15 de maio. Por causa da aproximação entre os dois países, os EUA vêm pressionando o Brasil a adotar uma posição mais dura em relação a Teerã.

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