EUA celebra centenário da chegada de Peary e Henson ao Polo Norte

Elena Moreno Nova York, 3 abr (EFE).- A comunidade científica celebra o centenário da chegada de Robert Edwin Peary e Matthew Henson ao Polo Norte, onde pisaram pela primeira vez junto a quatro esquimós, em uma expedição que saiu de Nova York em 1908.

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Um século depois dessa façanha, rodeada desde o início pela polêmica, o mundo da ciência e vários museus americanos lembram o histórico acontecimento com seminários, conferências e exposições que incluem desde as fotografias que foram feitas pelos exploradores até alguns dos quebra-galhos que utilizaram.

Assim o museu Ártico Peary-MacMillan, da universidade Bowdoin, no Maine - onde Peary (1856-1920), o primeiro homem que pisou no Polo Norte, formou-se como engenheiro - celebra a aventura com a publicação do diário do cientista dia a dia através de seu site.

No diário que Peary elaborou durante 1908 e 1909, desde sua saída a bordo do vapor Roosevelt de Nova York até o Polo Norte, podem ser lidas as experiências dos aventureiros no navio e quando cruzavam de trenó o mar Ártico.

Um século após essa fascinante expedição, o Polo Norte continua sendo objeto da mesma atenção de 100 anos atrás. Assim, o museu lembra que, se agora o território é famoso pelos efeitos da mudança climática, de 1900 a 1913, jornais como "The New York Times" dedicaram a ele mais "colunas que a qualquer outra história".

Para a diretora do museu, Susan Kaplan, a aventura empreendida por um dos estudantes da universidade do Maine bate com a personalidade e o engenho de Peary, que quando se graduou em 1877 já havia "resolvido importantes problemas de engenharia".

O currículo do aventureiro indica, segundo disse Susan à Efe em entrevista, que era um estudante excelente, embora rebelde e que tinha sua personalidade, o que junto com sua liderança, capacidade para resolver complicados problemas e imaginação lhe daria a fama.

"Peary se equivocou durante anos e aprendeu com seus erros.

Reconheceu que os inuit (esquimós) tinham tecnologias superiores às ocidentais e as incluiu a seu equipamento", explicou Susan em relação às vestimentas e outros costumes que essa expedição adotou para sobreviver no frio polar.

Prova disso são os ligeiros e flexíveis trenós inuit puxados por cachorros utilizados por Peary e Matthew Henson (1866-1955), seu companheiro de aventuras, para atravessar o gelado mar Ártico, dos quais um deles pode ser contemplado em uma exposição em Bowdoin.

Peary, que também era militar, tinha tentado chegar ao Polo Norte sete vezes.

"Vinte e dois homens e 19 equipes de cachorros deixaram o navio em 28 de fevereiro, uma época do ano em que ainda há suficiente luz do dia, mas as temperaturas ficavam abaixo de zero, e chegaram ao Polo Norte no dia 6 de abril 1909, mas não puderam ficar muito porque neste mês o sol é mais forte, e tiveram que ir em seguida para terra", explicou Susan.

O momento da chegada ficou imortalizado nas fotos que a expedição fez, mas também foi obscurecido porque em seu retorno aos EUA Peary soube que outro aventureiro, o médico e cirurgião Frederick Cook (1865-1940), reivindicava ter sido o primeiro a chegar a esse território ártico um ano antes.

Por pesquisas posteriores se descobriu em 1910 a mentira de Cook, que em 1923 foi condenado por uma fraude econômica e preso em 1930.

Peary e Henson alcançaram então o reconhecimento.

"Reunimos objetos da expedição de 100 anos atrás, incluindo a bandeira que então foi fincada, um dos trenós e o revólver que Matthew Henson levava, assim como a roupa interior com bolsos para os cronômetros e outros instrumentos técnicos", acrescentou Susan.

EFE emm/ma

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