EUA buscam retomar cooperação antidrogas com Venezuela

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos tentam retomar junto à Venezuela os esforços conjuntos de combate às drogas, interrompidos pelo presidente venezuelano em 2005, e isso apesar de haver dúvidas sobre a seriedade dele a respeito de adotar uma medida do tipo, afirmou na quinta-feira um importante membro do governo norte-americano. Thomas Shannon, principal diplomata dos EUA para a América Latina, comentou que o país deve aproveitar-se do fato de Hugo Chávez ter demonstrado, recentemente, interesse em retomar a cooperação, o que poderia melhorar relações bilaterais hoje desgastadas.

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'A cooperação na luta contra as drogas seria um terreno comum para ambos os governos e seria bem recebida na região', disse Shannon, diante de uma subcomissão da Câmera dos Representantes dos EUA encarregada de acompanhar as relações do governo norte-americano com os países daquela região.

'Comunicamos à Venezuela que desejamos explorar essa abertura diplomática', acrescentou durante a audiência, que tratava do futuro das relações entre os EUA e a Venezuela.

Vários congressistas questionaram a seriedade da declaração de Chávez sobre a possibilidade de ser retomada a cooperação, interrompida quando o governo venezuelano expulsou dali a DEA (agência antinarcóticos dos EUA), acusando-a de espionagem.

Shannon sublinhou que Chávez enfrenta dificuldades internas e conta com uma ressonância internacional menor neste momento.

Além disso, os venezuelanos elegem em 2008 governadores e prefeitos, o que explicaria o tom mais moderado do discurso chavista.

A autoridade, no entanto, afirmou que os EUA descobririam 'dentro em breve' se há seriedade na disposição de retomar a cooperação.

Apesar disso, Shannon ressaltou ser do 'interesse' do governo norte-americano ajudar a Venezuela a reforçar seu controle sobre o trânsito de drogas. O país, devido a sua localização geográfica, é considerado uma ponte de passagem para os narcóticos enviados aos EUA e à Europa.

Vários congressistas observaram que Chávez voltou a criticar o governo norte-americano nesta semana, afirmando que nada mudará nas relações do 'império' com a Venezuela quando um novo presidente tomar posse nos EUA, em 2009, seja ele o democrata Barack Obama seja o republicano John McCain.

(Por Adriana Garcia)

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