EUA: avanço no Afeganistão é frágil, mas retirada segue no prazo

Revisão estratégica da guerra diz que aliados ainda enfrentam desafios apesar do enfraquecimento de Al-Qaeda e Taleban

iG São Paulo |

Uma revisão da estratégia do governo americano para a guerra do Afeganistão, ordenada pelo presidente Barack Obama, indicou que as forças do país poderão começar a retirada em julho de 2011, dentro do prazo estipulado há cerca de um ano, apesar de os avanços registrados no país serem "frágeis e reversíveis".

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, retira-se de sala após fazer pronunciamento sobre Afeganistão ao lado de seu vice, Joe Biden, e da secretária de Estado Hillary Clinton

"Derrotar completamente a rede terrorista Al-Qaeda levará tempo. Continua sendo um inimigo forte e impiedoso dedicado a atacar nosso país", disse o presidente dos EUA, Barack Obama, ao comentar a revisão da estratégia para o Afeganistão e Paquistão. "Estamos focados em atingir, desmantelar e derrotar a Al-Qaeda no Afeganistão e Paquistão, e interromper sua capacidade de ameaçar os Estados Unidos e nossos aliados no futuro", acrescentou o líder americano.

O presidente americano também disse que os Estados Unidos "saúdam" os esforços do Paquistão contra os extremistas islâmicos, incluindo suas ofensivas nas regiões tribais. "No entanto, não se avançou o suficiente, e por isso seguiremos insistindo com os líderes paquistaneses que devem combater os locais de refúgio dos terroristas", afirmou.

Um resumo dos relatórios produzidos pelas autoridades americanas foi divulgado nesta quinta-feira. O documento indica que as tropas internacionais lideradas pelos Estados Unidos continuam matando líderes da Al-Qaeda e conseguiram diminuir a capacidade da rede terrorista de lançar ataques. Além disso, diz que o Taleban está enfraquecido e as forças afegãs estão fortalecendo sua capacidade de manter a segurança do país. O plano dos EUA é concluir a retirada em 2014.

No entanto, o relatório também afirma que os avanços são "frágeis e reversíveis". Segundo os Estados Unidos, para que a situação no país seja sustentável é preciso continuar progredindo na caça por terroristas que atuam principalmente no país vizinho, o Paquistão.

Documentos confidenciais

Na quarta-feira, o jornal americano "The New York Times" afirmou que dois relatórios sigilosos dos serviços de inteligência dos EUA apresentam avaliações mais negativas do que a revisao estratégica apresentada nesta quinta-feira.

Os dois relatórios de inteligência - um sobre o Afeganistão, o outro sobre o Paquistão - dizem que, embora haja progressos na guerra, a falta de disposição do Paquistão para coibir a presença de militantes em áreas tribais continua sendo um sério obstáculo, segundo o jornal. As chances de vitória no Afeganistão seriam limitadas.

O Times disse na terça-feira que as conclusões da comunidade de inteligência foram entregues na semana passada a membros das comissões de inteligência da Câmara e do Senado.

Comandantes militares e funcionários do Pentágono já haviam criticado a divulgação dos relatórios, alegando que eles estão desatualizados e haviam sido escritos por analistas que passaram pouco tempo na zona de conflito, segundo o próprio jornal.

Com BBC e "The New York Times"

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