EUA avaliam se houve golpe militar; Honduras inicia campanha eleitoral

WASHINGTON - Os Estados Unidos preveem anunciar nos próximos dias sua decisão sobre se a derrubada do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ocorreu por meio de um golpe militar. O comunicado ocorre em meio ao início da campanha eleitoral para as eleições gerais em 29 de novembro.

Redação com agências internacionais |

Caso os EUA decidam que sua postura é de que houve golpe, o país cortará milhões de dólares em ajuda humanitária a Honduras.

Um funcionário do Departamento de Estado americano relatou que esse anúncio pode ser feito entre esta terça e quarta-feira, o que coincidiria com a visita de quatro dias que Zelaya fará a Washington.

Depois da saída de Zelaya, os EUA suspenderam a ajuda direta ao governo de fato de Honduras, incluindo a assistência militar, e cancelaram todas as operações dos 600 soldados destacados na base de Soto Cano. Além disso, o país condicionou o congelamento da ajuda restante a um estudo jurídico do Departamento de Estado sobre a queda do presidente deposto.

Segundo uma lei americana, "nenhuma assistência pode ser fornecida a governos de um país se o presidente devidamente eleito dessa nação tiver sido deposto por um decreto ou um golpe militar".

Medidas

A recomendação recebida pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, é declarar que a derrubada de Zelaya foi um golpe militar, mas ela ainda está de férias e o governo americano preferiu esperar para dar espaço aos últimos esforços negociadores da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Se Hillary tomar tal decisão, Honduras pararia de receber a ajuda da Millennium Challenge Corporation (MCC), que assinou em 2005 um convênio de cinco anos com Tegucigalpa no valor de US$ 215 milhões.

Segundo seu site, a MCC suspendeu qualquer atividade em Honduras que não estivesse em andamento antes de 28 de junho, data da derrubada de Zelaya.

De acordo com essa fonte, até o momento, a MCC desembolsou US$ 80,3 milhões em Honduras sob esse convênio, cujos dois principais objetivos são aumentar a produtividade e as habilidades empresariais de camponeses e reduzir os custos de transporte entre os centros de produção e os mercados nacionais, regionais e globais.

Viagem a Washington

Zelaya, que está em Washington pela quinta vez desde que foi deposto, terá nesta terça-feira apenas reuniões internas na embaixada de seu país, segundo explicaram à Agência Efe fontes da representação diplomática de Honduras nos EUA.

A visita de Zelaya a Washington faz parte de seus esforços para continuar lutando por sua restituição no poder.

As primeiras reuniões importantes de Zelaya acontecem nesta terça-feira à tarde na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), onde terá um encontro privado com o secretário-geral, José Miguel Insulza, e depois, também a portas fechadas, conversará com membros do Conselho Permanente da entidade.

Por fim, já à noite, o presidente deposto hondurenho falará com a imprensa e fará sua avaliação sobre o estado das negociações com o governo do presidente de fato em Honduras, Roberto Micheletti, e de suas conversas com Insulza e os representantes dos 33 países-membros da OEA.

Além disso, Zelaya se reunirá na capital americana com organizações da sociedade civil e de direitos humanos e defenderá sua posição em comparecimentos a centros de análise política.

O Departamento de Estado americano também deve organizar um encontro com Zelaya, embora seu porta-voz, Ian Kelly, tenha comunicado, nesta segunda, que ainda não há uma data para isso e nem um nome com quem o hondurenho conversaria.

Eleições

Em, Tegucigalpa, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de Honduras abriu nesta segunda-feira o período de campanha para as eleições de 29 de novembro, repudiadas por Zelaya. O presidente deposto já pediu à comunidade internacional que não reconheça a votação. 

Num pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, o presidente do TSE, Saúl Escobar, pediu aos hondurenhos que façam das eleições gerais "uma festa cívica" e ajudem "a fortalecer a cultura política e eleitoral do país".

AP

Porfirio Lobo, candidato à presidência pelo Partido
Nacional faz campanha na capital hondrenha

Segundo o TSE, a campanha terminará em 24 de novembro. Durante esse período, os candidatos não poderão promover a abstenção nem receber contribuições anônimas ou de governos estrangeiros.

Nesta segunda, os seguidores de Zelaya realizam uma nova manifestação pedindo a restituição do presidente derrubado e que a população também não reconheça o processo eleitoral.

Os dois principais candidatos à presidência, Elvin Santos, do governista Partido Liberal, e Porfirio Lobo, do opositor Partido Nacional, já começaram a veicular anúncios, a organizar comícios e distribuir material de propaganda nas ruas de Tegucigalpa.


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