WASHINGTON - O Pentágono disse nesta quarta-feira que avalia seriamente o envio de tropas americanas ao Haiti para garantir a segurança no país após o forte terremoto desta terça-feira.

O general Douglas Fraser, comandante do Comando Sul do Pentágono, responsável pelas atividades militares na América Latina, disse que seu país avalia com a ONU a necessidade de reforços americanos à força internacional que está no Haiti, comandada pelo Brasil.

"Estudamos o tema seriamente", disse o general, o qual enfatizou que manter a segurança é uma preocupação "significativa".

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta quarta-feira que a principal prisão do Haiti desabou após o forte terremoto que atingiu o país na noite de terça-feira. Segundo informou a ONU, um número ainda não contabilizado de presos conseguiu fugir.

Ajuda dos EUA

Após o terremoto na noite de terça-feira, os Estados Unidos começaram imediatamente a mobilizar recursos para socorrer o Haiti e ordenaram o envio de pessoal especializado e 48 toneladas de material de resgate.

Em pronunciamento na Casa Branca, o presidente americano, Barack Obama, disse que os Estados Unidos serão um "amigo e parceiro" dos haitianos e farão um esforço "agressivo" para trabalhar no resgate de vítimas e entregar comida, água e remédios à população.

Segundo Obama, equipes de ajuda humanitária dos Estados da Flórida, Virgínia e Califórnia chegarão ao Haiti nesta quarta-feira e na quinta-feira, já que "as primeiras horas e dias são cruciais para salvar vidas". Outros profissionais já estão sendo preparados e, segundo Obama, os EUA trabalharão em conjunto com ONGs, com a missão de paz da ONU e parceiros na região e no mundo.

A equipe está formada, em geral, por bombeiros, paramédicos, especialistas em resgate, médicos de urgência, engenheiros estruturais, técnicos em materiais perigosos, cachorros de busca e adestradores, assim como especialistas em comunicações e em logística.

O presidente ainda estimulou os americanos a fazerem doações aos haitianos por meio do site da Casa Branca , apesar das dificuldades econômicas dos EUA. "Tragédias como essa nos lembram da humanidade que une todos nós", disse Obama. "Precisamos estar ao lado dos haitianos nesse momento de necessidade".

Tremor devastador

O forte terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti na tarde da última terça-feira foi o tremor mais forte a afetar o país nos últimos 200 anos. Em um espaço de um minuto, o terremoto destruiu diversos edifícios e interrompeu os serviços de energia e telefonia do país. Estima-se que centenas de pessoas tenham morrido, mas dados oficiais ainda não foram divulgados.


Palácio presidencial não resistiu ao terremoto e desabou / EFE

O terremoto provocou o desabamento do palácio presidencial, de favelas da capital, Porto Príncipe, e centenas de edificações na região. Um prédio de cinco andares usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) também desabou na terça-feira por conta do tremor.

O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, disse que as sedes do palácio presidencial, da Receita Federal, do Ministério do Comércio e do Ministério das Relações Exteriores sofreram danos provocados pelo tremor, mas que o aeroporto da capital estava intacto. Segundo ele, o presidente René Preval escapou ileso do terremoto.

As informações sobre vítimas e danos são divulgadas de forma desorganizada por conta de problemas de comunicação no país. Como país mais pobre das Américas , o Haiti não tem equipamentos suficientes para lidar com esse tipo de desastre.


Sobrevivente é resgatada de escombros em Porto Príncipe / AFP

Epicentro

O epicentro do tremor foi registrado a 16 km de Porto Príncipe, que tem uma população de cerca de 1 milhão de pessoas, e tremores que vieram depois, tão fortes quanto o inicial, atingiram a cidade ao longo da noite e já na quarta-feira.

Segundo o US Geological Survey, a agência geológica americana, o terremoto ocorreu por volta das 16h53 (horário local, 19h53 de Brasília) de terça-feira.

Pelo menos dois tremores secundários - de 5,9 e 5,5 graus, respectivamente, foram registrados logo após o primeiro terremoto. Cerca de cinco horas após o tremor inicial, uma testemunha disse que esses tremores secundários eram sentidos a cada dez minutos.

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