Os Estados Unidos autorizaram os primeiros testes clínicos, em pacientes portadores de paralisia, de uma terapia que utiliza células-tronco embrionárias humanas, confirmou nesta sexta-feira a FDA, a Food and Drug Administration - a agência reguladora de fabricação e comercialização de medicamentos e alimentos no país.

Os cientistas, encarregados dos testes, vão aplicar as células-tronco para tratar voluntários que sofreram danos graves na medula espinhal.

"A FDA autorizou um teste clínico de fase I ao grupo Geron Corp em pacientes com lesão aguda da medula espinhal", informou à AFP Susan Cruzan, porta-voz da FDA.

A Geron Corporation, uma firma da Califórnia (oeste), havia anunciado mais cedo em comunicado ter obtido o sinal verde da FDA para esse teste clínico de fase I no tratamento experimental que realiza, chamado GRNOPC1.

Este tipo de teste será realizado em um pequeno número de pacientes para testar a tolerância humana a uma terapia inovadora e consiste em injetar células-tronco em pacientes com paralisia.

Durante o estudo, os cientistas desenvolveram, a partir das células-tronco, as células chamadas de oligodentrócitas, precursoras de células nervosas.

"O acordo permite à Geron a primeira aplicação em um ser humano de uma terapia baseada na utilização de células-tronco embrionárias humanas", frisou a empresa.

O objetivo do teste GRNOPC1 é injetar essas células nos pacientes voluntários, na esperança de que elas possam ter os meios para regenerar células nervosas defeituosas e, potencialmente, devolver à pessoa portadora de paralisia sua sensibilidade e a faculdade de movimentos.

A empresa enviou à FDA um relatório de 21.000 páginas para respaldar seu pedido de autorização, argumentando que a terapia mostrou eficácia em camundongos e ratos.

As células-tronco embrionárias são células que possuem a melhor capacidade de se dividir dando origem a células semelhantes às progenitoras.

As células-tronco dos embriões têm ainda a capacidade de se transformar, num processo também conhecido por diferenciação celular, em outros tecidos do corpo, como ossos, nervos, músculos e sangue. Devido a essa característica, as células-tronco são importantes, principalmente na aplicação terapêutica, sendo potencialmente úteis em terapias de combate a doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, diabetes tipo-1, acidentes vasculares cerebrais, doenças hematológicas, traumas na medula espinhal e nefropatias.

O principal objetivo das pesquisas com células-tronco é usá-las para recuperar tecidos danificados por essas doenças e traumas. São encontradas em células embrionárias e em vários locais do corpo, como no cordão umbilical, na medula óssea, no sangue, no fígado, na placenta e no líquido amniótico.

A principal dificuldade para os cientistas é conseguir que as células-tronco embrionárias "se diferenciem" para se transformarem nas células desejadas, sem o risco de se transformar em células indesejáveis como tumores.

A utilização das células-tronco levanta questões éticas porque elas são tiradas do embrião no primeiro estágio de seu desenvolvimento (blastócito), provocando sua destruição.

O anúncio da Geron vem à tona três dias após a saída da Casa Branca de George W. Bush, que era contrário às pesquisas com células-tronco embrionárias.

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