EUA aumentam pressão sobre Honduras com ameaças e corte de ajuda

Céline Aemisegger. Washington, 3 set (EFE).- Os Estados Unidos suspenderam formalmente o repasse de mais de US$ 30 milhões em ajudas diretas ao a Honduras, num forte sinal de pressão ao Governo de fato de Roberto Micheletti.

EFE |

A medida não institui um novo corte na entrega de ajuda financeira, uma vez que esta já estava congelada. Contudo, demonstra uma mudança na posição dos EUA.

Washington, além de suspender os vistos de membros do Executivo hondurenho e de seguidores de Micheletti, informou ainda que não reconhecerá o vencedor das eleições presidenciais que o país centro-americano realizará em 29 de novembro.

As sanções, anunciadas durante a reunião que o presidente derrubado de Honduras, Manuel Zelaya, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, mantiveram hoje, surpreenderam.

A expectativa era que o corte na ajuda seria bem maior, de até US$ 200 milhões, e viria acompanhado de um reconhecimento de Hillary a um "golpe militar" em Honduras, posto que o Departamento de Estado elaborou um estudo legal sobre o ocorrido em 28 de junho, dia em que Zelaya foi tirado do poder.

Na prática, o Governo americano deixará de repassar US$ 9,4 milhões à Agência para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), US$ 8,96 milhões em ajudas estatais, US$ 11 milhões da conta relativa aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e US$ 1,7 milhão em fundos de segurança, disse um funcionário do alto escalão do Departamento de Estado.

Os EUA já tinham congelado essas ajudas, destinadas ao desenvolvimento, ao setor econômico, a programas de saúde, ao financiamento de projetos, ao treinamento de militares e ao reforço da segurança, pouco depois da queda de Zelaya.

Porém, apesar do corte, o Governo americano continuará repassando US$ 70 milhões ao Executivo hondurenho.

Parte da decepção com o anúncio dos EUA foi provocada pelo próprio Departamento de Estado do país, que dias atrás admitiu que poderia considerar a queda de Zelaya resultante de um "golpe militar", o que, se tivesse acontecido, implicaria a abertura de trâmites formais no Congresso americano, algo que Washington não achou necessário.

"A lei não exige que a secretária de Estado determine um tipo de golpe para cortar a ajuda. Ela suspendeu a assistência porque houve um golpe de Estado", destacaram fontes do Governo.

"Achamos que enviamos um sinal mais forte quando dizemos que um golpe de Estado, independentemente de sua natureza complexa e de seus componentes, terá consequências", acrescentaram.

Os EUA também insistem que é preciso avaliar o efeito conjunto das três medidas, e não apenas se concentrar na questão das ajudas.

O porta-voz do Departamento de Estado, Philip J. Crowley, explicou que o anúncio de hoje tem o objetivo de "enviar uma mensagem muito clara ao regime de fato": de que é preciso assinar o Acordo de San José e de que a estratégia dele não funcionará .

O presidente derrubado, no entanto, recebeu com satisfação o novo apoio dos EUA. Zelaya afirmou que o Governo de fato de Honduras "está cada vez mais isolado".

"Há uma intensificação das medidas dos EUA contra os golpistas, as quais se alinham com todas as posições dos presidentes da América Latina", disse Zelaya à imprensa após a reunião com Hillary.

Nesse sentido, ele fez um apelo para que o Governo de Micheletti se "retifique" e "pare de (fazer) o povo hondurenho sofrer", e para que a população de Honduras continue lutando e resistindo ao golpe.

Por sua vez, o Governo de Micheletti classificou a medida de Washington como "pouco amistosa". Além disso, acusou aos EUA de passarem para "o lado" do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. EFE ca/sc

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