EUA aprovam ajuda à Colômbia, apesar de preocupação com abusos

WASHINGTON (Reuters) - O Departamento de Estado norte-americano disse nesta sexta-feira que continua preocupado com relatos de execuções extrajudiciais e grampos telefônicos na Colômbia, mas que Bogotá fez avanços suficientes que justificam a liberação do restante da ajuda militar norte-americana para o país em 2009. Desde 2000, a Colômbia já recebeu mais de 6 bilhões de dólares em ajuda dos EUA para o combate a guerrilhas e traficantes de drogas.

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Pela lei dos EUA, parte da ajuda fica retida a cada ano até que o Departamento de Estado certifique ao Congresso que a Colômbia está cumprindo requisitos mínimos no que diz respeito a direitos humanos e controle de grupos paramilitares de direita.

Essa restrição foi imposta por parlamentares preocupados com o aumento da atividade paramilitar e com as execuções extrajudiciais.

"Não há dúvida de que deve haver melhorias em certas áreas", disse Ian Kelly, porta-voz do Departamento de Estado, em nota.

"Entretanto, o governo colombiano tem feito esforços significativos para aumentar a segurança do seu povo e promover o respeito pelos direitos humanos por suas Forças Armadas, e portanto atendeu aos critérios de certificação", acrescentou.

A nota não esclarece que de quanto será a verba adicional liberada.

Kelly manifestou preocupação com as execuções extrajudiciais de homens e meninos no bairro pobre de Soacha, na periferia de Bogotá. Dezenove jovens dessa localidade foram mortos por soldados que tentaram apresentar os corpos como sendo de rebeldes mortos na guerra civil, a mais antiga da América Latina.

Uma investigação concluiu que os soldados tentavam inflacionar o número de guerrilheiros mortos para obter promoções e bônus.

Kelly disse que as Forças Armadas e o Ministério Público da Colômbia agiram rapidamente nesse caso, exonerando 45 militares e investigando 75 soldados.

"Entretanto, o caso Soacha não é um incidente isolado, e ações adicionais irão exigir uma firma liderança por parte das Forças Armadas para resolver e eliminar abusos," disse Kelly.

Ele também manifestou a preocupação dos EUA com relação a acusações de grampos telefônicos e vigilância ilegal por parte do Departamento de Segurança Administrativa do governo colombiano. O porta-voz qualificou essas ações como "perturbadoras e inaceitáveis."

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