EUA apresentam sanções ao Zimbábue ao Conselho de Segurança da ONU

NAÇÕES UNIDAS - Os Estados Unidos apresentaram hoje oficialmente aos membros do Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução que impõe sanções ao governo do Zimbábue, a fim de que seja levado à votação na próxima semana.

EFE |

O embaixador dos EUA perante a ONU, Zalmay Khalilzad, disse na saída de uma rápida reunião do principal órgão que o conjunto de sanções que o país apresentou se restringe à cúpula governamental e evita castigar o povo zimbabuano.

"O que buscamos é incentivá-los para que cooperem na busca de uma solução que resolva a crise, com a formação de um governo que represente a legítima vontade do povo zimbabuano", afirmou o diplomata americano.

Ele indicou que deseja que o texto seja levado à votação "na próxima semana", depois da reunião sobre o Zimbábue que o órgão deve realizar na terça-feira.

Khalilzad considerou que está em jogo "a credibilidade" do Conselho, depois que o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, ignorou sua advertência de que não havia condições para realizar o segundo turno das eleições presidenciais.

"Mugabe ignorou a decisão do Conselho de Segurança e os apelos da comunidade internacional, e realizou eleições viciadas que criaram uma crise de legitimidade", acrescentou.

O embaixador americano advertiu de que a ONU tem que atuar em "uma crise que impacta não somente o Zimbábue, mas toda a região".

Sanções propostas

O projeto de resolução promovido por Washington congela os bens e impõe uma proibição de viajar para Mugabe e 11 de seus principais colaboradores acusados de organizar a violência que provocou a saída da oposição do pleito.

Também impõe um embargo de armas ao país e exige o início de um diálogo com a oposição.

O texto conta com o apoio dos países ocidentais presentes no Conselho, mas enfrenta a oposição de África do Sul, Rússia e China, que têm poder de veto.

O presidente de turno do Conselho de Segurança, o embaixador vietnamita Le Luong Minh, afirmou na saída da reunião de hoje que várias delegações informaram que precisam consultar suas capitais antes de se pronunciar sobre a minuta.

"Muitos membros disseram que precisam de tempo, dada a natureza do assunto", destacou.

O embaixador da Indonésia perante as Nações Unidas, Marty Natalegawa, deixou claras as reservas indonésias em envolver o Conselho de Segurança "na avaliação de eleições".

"O trabalho do Conselho de Segurança não é supervisionar eleições, mas, no caso do Zimbábue, por uma razão ou outra, se transformou em um assunto internacional", afirmou.

A União Africana (UA) pediu em 1º de julho a Mugabe para negociar um governo de união nacional com a oposição, mas tanto o líder quanto Tsvangirai rejeitaram a sugestão.

Entenda a crise no Zimbábue

No primeiro turno do pleito, realizado no dia 29 de março, o candidato do partido opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, de 56 anos, venceu por cinco pontos de vantagem sobre Mugabe.

Tsvangirai abandonou a corrida eleitoral uma semana antes do segundo turno, para denunciar a repressão praticada contra seus partidários. A violência, segundo o ex-candidato, deixou ao todo 200.000 desabrigados, 10.000 feridos e 90 mortos desde o fim de março.

Na segunda-feira, observadores da UA que fiscalizaram a votação no Zimbábue admitiram que o pleito não foi realizado "de acordo com as normas democráticas" da organização.

A crise política e econômica do Zimbábue arruinou um país antes próspero, fazendo nascer ali a pior hiperinflação do mundo atual e indispondo-o com seus vizinhos, em especial a África do Sul, para onde fugiram milhões de pessoas até agora.



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