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EUA decepcionados com impasse em Honduras

O porta-voz do departamento de Estado americano, Ian Kelly, afirmou nesta sexta-feira em Washington que o governo está decepcionado com os últimos acontecimentos em Honduras. Estamos decepcionados que as duas partes não estejam seguindo o caminho que foi traçado, disse Kelly em uma referência aos termos do acordo Tegucigalpa-San José.

BBC Brasil |

"Pedimos às duas partes para que trabalhem para o melhor interesse do povo hondurenho e voltem à mesa de negociações imediatamente para alcançar um acordo para a formação de um governo de união nacional", afirmou o porta-voz.

Mais cedo, fontes do departamento de Estado afirmaram que não consideram que a "atual conjuntura em Honduras possa ser classificada como um fracasso das negociações" e afirmaram que "seguem apoiando o processo de diálogo".

'Facasso'
Na semana passada, Zelaya e Micheletti assinaram o acordo de Tegucigalpa-San Jose, que dizia que o Congresso decidiria sobre a volta de Zelaya e seria formado um governo de unidade nacional, até a quinta-feira, 5 de Novembro, para atuar até as eleições de 29 de novembro.

O Congresso, no entanto, não se reuniu para discutir o assunto e Micheletti anunciou, na noite de quinta-feira, que iria ser o chefe do governo de unidade nacional.

Zelaya disse à BBC nesta sexta-feira que considera a escolha de Micheletti "uma aberração ao espírito do acordo".

O presidente deposto afirmou considerar o acordo "fracassado" devido a demora do Congresso, que considerou deliberada.

"(Isto) nos impediu de cumprir o calendário do acordo e chegar ontem a um governo de unidade e reconciliação", disse ele.

Zelaya diz acreditar que o calendário do acordo exigia resolver primeiro a questão da presidência da República, embora o pacto assinado não estipulasse uma data para a votação do Congresso.

Já o governo interino afirmou que "Micheletti tem toda a vontade política e que o acordo está sendo cumprido passo a passo".

OEA
Ainda nesta sexta-feira, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pediu para que os governo de fato e interino cumpram "sem subterfúgios" o acordo assinado pelas duas partes para acabar com a crise política do país.

"As medidas aprovadas no acordo são claras e foram aprovadas voluntariamente por ambas as partes", disse ele por meio de um comunicado.

"Espero que sem mais subterfúgios se cumpram para restabelecer a democracia, a legitimidade institucional e a convivência entre os hondurenhos."
Insulza pediu para que o congresso decida sobre a volta ou não de Zelaya antes de 27 de janeiro.

"É também indispensável que o Congresso Nacional de Honduras emita um pronunciamento soberano sobre o ponto pendente do acordo de San Jose-Tegucigalpa sobre devolver o comando do Executivo ao seu estado anterior a 28 de junho até a conclusão do atual período governamental em 27 de janeiro de 2010", concluiu, referindo-se à data do último dia antes da deposição de Zelaya.

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