EUA apóiam entrada da Geórgia na Otan e exigem substituição de forças de paz

Moscou, 23 ago (EFE).- O americano Matthew Bryza, subsecretário de Estado adjunto para Assuntos Europeus e Asiáticos, afirmou hoje que o conflito entre a Rússia e a Geórgia demonstra que o país caucasiano deve ser admitido o mais rápido possível na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

EFE |

"A Geórgia aumentará agora seus esforços para entrar na Otan. A própria Rússia acaba de demonstrar claramente que a Geórgia precisa dar esse passo", disse Bryza em entrevista transmitida hoje pela rádio "Eco de Moscou".

O diplomata ressaltou que os EUA farão todo o possível para que a Otan admita em dezembro a Geórgia e a Ucrânia no âmbito de seu plano de Ação para a Adesão - pré-requisito para a entrada na aliança militar -, após ter adiado a decisão na cúpula de Bucareste.

Segundo analistas, a admissão da Geórgia ao Plano de Ação em Bucareste teria inviabilizado tanto o ataque das tropas georgianas à Ossétia do Sul para a recuperação da região separatista como o avanço do Exército russo na Geórgia para proteger os separatistas.

"O que está acontecendo na Geórgia, o que as tropas russas estão fazendo ali, destruindo as infra-estruturas, tanto civis quanto militares, viola todas as normas dos acordos internacionais.

Portanto, a presença das tropas russas na Geórgia é ilegal", disse Bryza.

O diplomata americano também afirmou que as tropas de paz russas já não podem conservar esse status na Ossétia do Sul por terem se tornado parte do conflito entre a Geórgia e a região separatista.

"Como podem ser chamadas de forças de pacificação quando são parte do conflito?", indagou Bryza, que acrescentou que as tropas de paz russas deverão ser substituídas por uma força multinacional que ainda será estabelecida, tal como tem pedido há bastante tempo o Governo de Tbilisi.

Bryza afirmou ainda que o primeiro conflito bélico da Rússia com um país pós-soviético complicará suas relações com a comunidade internacional e os organismos internacionais. Além disso, confessou que acredita que isso dificultará sua ansiada entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O subsecretário de Estado adjunto também considerou "irresponsáveis" as afirmações de que as tropas georgianas cometeram "genocídio" e "limpeza étnica" na Ossétia do Sul, como garante a Rússia, ao destacar que esses conceitos não devem ser aplicados a uma ação militar, por mais lamentável que seja, lançada para recuperar uma região separatista.

Por outro lado, Bryza criticou duramente o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, por proibir transmissões de meios de comunicação eletrônicos russos na Geórgia, após a explosão do conflito, atitude que chamou de "contrária às normas básicas da democracia". EFE si/wr/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG