EUA aplicarão com cautela plano de resgate do sistema financeiro

Washington, 4 out (EFE) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse hoje que o Governo aplicará de forma cautelosa o programa de resgate financeiro, que responderá às necessidades imediatas dos mercados e à fraqueza da economia.

EFE |

Bush assegurou que a legislação aprovada pelo Congresso esta semana oferece as ferramentas necessárias para enfrentar o "problema fundamental" da crise no sistema financeiro.

O Congresso aprovou um plano de resgate que permitirá ao Governo adquirir, por um valor de até US$ 700 bilhões, os "ativos tóxicos" que desestabilizaram as instituições financeiras.

"Tomando todas estas medidas, podemos começar a pôr nossa economia no caminho da recuperação", assegurou Bush, que se mostrou cauteloso ao ressaltar que, "embora esses esforços sejam eficazes, sua execução levará tempo".

O presidente americano destacou que o Governo andará o mais rápido possível, mas empreenderá o plano "em um ritmo cauteloso" para garantir aos cidadãos que os dólares investidos "sejam gastos prudentemente".

Após a aprovação do pacote de resgate financeiro pelo Congresso, o Departamento do Tesouro americano terá agora de definir como usará os fundos para melhorar as contas dos bancos.

Recentemente, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, disse que iniciaria "rapidamente" as operações com uma compra de títulos vinculados a hipotecas por uma quantia pequena de dinheiro.

Paulson disse que o Tesouro terá várias opções, pois uma intervenção deste tipo "nunca foi feita".

Antes de qualquer coisa, ele terá de definir qual classe de títulos comprará e como isso ocorrerá.

Um dos mecanismos mencionados pelo Tesouro é um leilão "ao contrário", no qual o Governo, como único comprador, marcará um preço alto pelos títulos e as instituições financeiras concorrerão entre elas para vendê-los, o que baixará seu valor.

Em todo caso, a lei aprovada pelo Congresso dá grande flexibilidade ao Tesouro, que poderá comprar dívida ou ações diretamente de uma entidade, se achar necessário.

A lei também dá permissão ao Federal Reserve (Fed, banco central americano) para pagar juros aos bancos pelos depósitos que precisam deixar nos cofres da autoridade monetária em cumprimento à normativa financeira.

O Fed quer abonar esses juros para injetar capital nessas entidades.

Segundo os analistas, o programa de resgate diminuirá os problemas financeiros do país, mas não os eliminará.

Os mercados de crédito continuam fracos e com dificuldades de financiamento em curto prazo para todo tipo de entidades e empresas, pois os bancos decidiram acumular seu dinheiro e não fazer empréstimos até que tudo se acalme.

Além disso, os US$ 700 bilhões do programa de resgate não serão suficientes para reavivar uma economia que dá sinais claros de fraqueza.

O relatório de desemprego divulgado na sexta-feira é preocupante, pois mostrou que as perdas de postos de trabalho se estenderam do setor imobiliário, onde teve início a crise, para o resto da economia.

As empresas eliminaram 159 mil empregos em setembro, segundo o Departamento de Trabalho, algo que coloca a economia dos EUA mais próxima da recessão.

"Outras 159 mil famílias estão se perguntando como vão pagar a comida, o gás e a energia que estão consumindo seu orçamento e como vão manter suas casas", disse o governador de Ohio, Ted Strickland, em discurso dos democratas.

Strickland disse que os problemas em Wall Street não são novos para as 750 mil pessoas que perderam seu emprego desde o início do ano e que enfrentam a maior crise desde a Grande Depressão de 1930, "enquanto o candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, continua dizendo que os fundamentos da economia são fortes".

McCain, em breve discurso, lamentou o desemprego e ressaltou que a crise mostrou de que os cidadãos são feitos.

Durante sua campanha, o candidato republicano insistiu na necessidade de manter baixos os impostos para propiciar a criação de empregos e estimular a economia em momentos de crise, e se comprometeu a reforçar a regulação para impedir que os desmandos de Wall Street, que originaram o plano de resgate, se repitam. EFE cma/fh/db

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