EUA apertam fiscalização de todos os passageiros internacionais

María Peña. Washington, 4 jan (EFE).- Empenhadas em reforçar a segurança aérea, as autoridades dos Estados Unidos começaram hoje a examinar minuciosamente ainda mais os passageiros internacionais, inclusive com scanners capazes de desnudá-los, apesar das críticas dos defensores dos direitos civis.

EFE |

O reforço dos controles é uma resposta ao atentado fracassado registrado em um voo com destino a Detroit no dia do Natal, no qual o nigeriano Umar Faourk Abdulmutallab tentou detonar um explosivo que levava escondido na cueca.

A Administração de Segurança dos Transportes (TSA, na sigla em inglês) disse no domingo que, a partir de hoje e graças à colaboração "extraordinária" das companhias aéreas, todo passageiro que chega aos EUA "de qualquer parte do mundo, a partir ou através de nações que patrocinam o terrorismo ou de outros países de interesse, terá de se submeter a uma maior revisão".

Passageiros de Cuba, Arábia Saudita, Nigéria, Iêmen e de outros dez países são submetidos a maiores fiscalizações, com o uso de scanners de corpo inteiro, registro corporal e uma revisão exaustiva de sua bagagem de mão.

As autoridades também continuarão as revistas aleatórias, assim como maiores inspeções de passageiros que demonstrem condutas suspeitas, explicou o escritório responsável pela segurança no transporte.

Segundo Washington, a lista de países que patrocinam o terrorismo inclui Cuba, Irã, Sudão e Síria, enquanto a de "países de interesse" inclui o Afeganistão, Argélia, Iraque, Líbano, Líbia, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Somália e Iêmen.

As medidas de segurança nos aeroportos americanos aumentaram depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Desde então, os passageiros tiveram de tirar os sapatos e cintos antes de entrar no avião, e não levar vasilhas com água ou outros líquidos em suas bagagens de mão, mas depois do caso do nigeriano Abdulmutallab, isso já não é suficiente.

Pelo menos 40 scanners de corpo inteiro estão em funcionamento em 19 aeroportos do país e espera-se que outros 150 sejam instalados neste ano. Além disso, a TSA conseguiu o financiamento para adquirir outros 300 dispositivos que permitem "ver" por meio da roupa e detectar qualquer objeto oculto.

A TSA afirma que as imagens digitais são apagadas imediatamente se anomalias não forem identificadas quando os passageiros passarem pelos pontos de controle, mas a União Norte-americana das Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) reclama que as revisões violam a "dignidade" e a privacidade das pessoas.

A tecnologia, no entanto, tem suas limitações pela quantidade de passageiros sujeitos a revisão - até 2,5 milhões de pessoas viajam por dia apenas em voos nacionais nos EUA - e pelas novas estratégias utilizadas pelos terroristas.

Conforme advertiu em um blog o analista em segurança da ACLU Jay Stanley não é mais possível impedir em 100% a entrada de um novo terrorista suicida com um explosivo dentro de seu corpo.

Após o fracassado atentado em Detroit, as autoridades britânicas e holandesas decidiram utilizar os scanners de corpo para passageiros com destino aos Estados Unidos.

Abdulmutallab, de 23 anos, está em uma prisão em Milan, no Michigan, e é acusado de tentar detonar um explosivo no voo 253 da companhia aérea Delta, que tinha decolado de Amsterdã com 278 passageiros e 11 tripulantes a bordo.

De acordo com as autoridades, o próprio Abdulmutallab confessou que recebeu capacitação da Al Qaeda no Iêmen.

O presidente Barack Obama, que hoje retorna a Washington depois das férias no Havaí, solicitou uma revisão geral nos sistemas de segurança aéreos, diante da constatação de que ocorreram "erros sistemáticos" que possibilitaram o atentado fracassado.

O Congresso programou audiências sobre o caso e, como indicaram alguns observadores, também analisará as repercussões do uso dos scanners. EFE mp/dm

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